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quinta-feira, 19 de setembro de 2013

TEATRO MUNICIPAL

TEATRO MUNICIPAL

O sólido, moderno, confortável e lindo Teatro Municipal que a Prefeitura local acaba de construir nesta cidade, vai ser festivamente inaugurado no dia 23 do andante.| Era o único próprio público de que se ressentia esta| cidade, que agora fica dispondo de tudo necessário ao relativo conforto e bem-estar de sua população. É mais um importante e útil marco que fica assinalando à fecunda administração de que desfruta o nobre povo guararense, construído e já pago pela respectiva verba orçamentária, despendida sem o sacrifício de outros serviços municipais.
Sabemos que não foram pequenos os esforços dos empreendedores dessa magnífica obra educativa e recreativa Mas, sabemos também que não lhes faltou o apoio e a boa vontade de nossa gente. Vários foram os donativos recebidos, entre os quais é de se registrar mais uma vez a rica e artística Bandeira Nacional, oferta das damas guararenses, e iniciativa e confecção do ilustrado corpo decente do Grupo local; a superior cortina da boca de cena, oferecida pelo Cel. Bertholdo Garcia Machado; o letreiro luminoso da fachada principal, dádiva do funcionalismo federal, estadual e municipal local, e o fardamento para a corporação musical, presente valioso do Cel. Pedro Leite.
O nosso Teatro está lindamente decorado, mobiliado, dispondo de tudo mais necessário ao fim a que se destina. Satisfaz, com vantagens, exigências locais, e oferece aos espectadores conforto e ambiente que devem agradar ao gosto mais exigente.
Sua inauguração será ás 19 horas em ponto, com o seguinte programa, sujeito a modificações: Apoteose á República, sendo o Hino Nacional cantado por 21 meninas, representando, cada uma, um Estado da Federação Brasileira; discurso do Prefeito e orador oficial da solenidade; Hino da Bandeira, por um coro de meninas; um ato variado, e a representação da interessante comédia "Não me contes esse pedaço", por um grupo de amadores locais.
Só terão ingresso as pessoas previamente convidadas e munidas de um cartão cujo número corresponde ao da cadeira que lhe está designada. Por não ser possível convite geral, o mesmo espetáculo será repetido no dia seguinte, dedicado às pessoas que, somente por falta de espaço, não puderam ser chamadas para o ato inaugural, e as crianças das escolas públicas, sendo os ingressos distribuídos na hora, na bilheteria do Teatro.
Por mais esse melhoramento antecipamos nossos parabéns, não ao nosso grande Prefeito, mais ao querido povo de nossa amada terra.

Jornal "O Guarará, ANNO XXI, N.º 21

Guarará, 1 de junho de 1940

TEATRO MUNICIPAL DE GUARARÁ

TEATRO MUNICIPAL DE GUARARÁ
SUA BRILHANTE INAUGURAÇÃO, REALIZADA NO DIA 23 DESTE

Vinte e três de junho de mil novecentos e quarenta ficou registrado em nossa historia local como uma das grandes datas para o nosso município. É que nesse dia ficou completo o quadro de próprios municipais necessários ao aparelhamento da boa administração e ao merecido conforto da nossa população, e enriquecido o nosso patrimônio público com mais um imponente prédio de valor - o Teatro Municipal — cuja inauguração foi imponente e surpreendente, graças aos esforços, sem par, do nosso relator e a boa vontade do nosso estimado Prefeito, Cel. Bertholdo Garcia Machado.
Por iniciativa do digno vigário, Revm. Pe. Oscar de Oliveira, nossas principais ruas amanheceram engalanadas, e durante o dia o movimento da nossa urbe foi desusado, havendo vários exercícios esportivos.
Às 19 horas, repleto o teatro de distintas famílias deste e dos municípios circunvizinhos, especialmente convidados, rompeu a banda, musical "10 de Novembro" o Hino Nacional e no palco se descortinou o empolgante quadro — apoteose à República — estando esta e os Estados da Federação representados por 22 mimosas meninas vestidas a caráter. Findo o hino, cena aberta, aparece no palco a prestimosa figura do Prefeito, Cel. Bertholdo Machado, que num belo discurso declarou inaugurado o teatro, passando a palavra ao orador oficial da solenidade. Revm Pe. Oscar de Oliveira que, com a cultura e proficiência que lhe são peculiares, produziu empolgante oração delirantemente aplaudida.
Seguiu-se o hasteamento da Bandeira Nacional, no palco, com o respetivo hino entoado por 21 meninas. Foi um momento de geral comoção.
Esses dois lindíssimos quadros despertaram vivo entusiasmo e aplausos da assistência.
Teve, então, lugar a representação de um ato variado, canto, canções, declamações, _cena cômica e etc, no qual tomaram parte as interessantes crianças - Terezinha e Edson Monteiro, Clidene de Araújo, Paula, Misael e Iraídes Costas, os quais foram de grande felicidade no desempenho da representação que a cada um coube, pelo que foram todos entusiasticamente aplaudidos.
Aos presentes foram distribuídos bombons e doces variados. Um grupo de amadores organizado pelo nosso redator, e composto das distintíssimas senhoritas, normalista Laura Alvim Tostes, professoras Aparecida Tostes, Nivalda de Souza, Cileia Galil e Regina de Souza, e dos ilustres cidadãos, José Monteiro da Silva, Camilo Abrahão e Arnaud Gribel Filho, levou a cena a hilariante comédia "Não me conte esse pedaço".
O desempenho foi perfeito, não se tendo notado a mais ligeira falha. Tão perfeito que a unanimidade dos espectadores tiveram a impressão de estar diante de profissionais da arte dramática. Geralmente, cada qual deu brilhante desempenho ao seu papel, de modo que não se pode fazer destaque individual, eis que o conjunto foi deveras surpreendente.
Foi de fato uma representação que empolgou, e que por isso mesmo, ainda está recebendo encômios gerais.
Esse mesmo espetáculo foi repetido no dia seguinte dedicado as exmas famílias que não puderam ser chamadas, para o ato inaugural, por falta de espaço e transcorreu como na primeira representação.
Antes dessa última representação, teve lugar a Benção do edifício, ministrada pelo culto e
incansável vigário, desta freguesia, Revm. P. Oscar de Oliveira, Benção que foi paraninfada pelas exmas. sras. dona Olívia Machado, Carmosina Leite, Zilda Mattêo, Aida de Assis, Luíza de Carvalho Breyer e Julieta Varanda Rocha.
Finda essa cerimônia, o empolgante orador celebrante Revm. Pe. Oscar de Oliveira, em breve porém brilhante discurso disse não ser possível que a palavra de Afonso Leite deixasse de ser ouvida, antes de terminadas as festividades da inauguração do Teatro Municipal.
Visivelmente exausto pela fadiga do trabalho sucessivo anterior, aparece no palco o nosso redator, que em ligeiro improviso agradeceu a todos o concurso material moral e intelectual dispensado à grande obra que ali ficava dedicada e confiada aos cuidados, arte e bom gosto da nobre população guararense.
A orquestra do palco ficou a cargo dos srs. Álvaro Gribel, João Furtado, Sebastião Pires e Moacir Barroso, e a da plateia sob a regência de Otávio de Carvalho, fundador da corporação musical "10 de Novembro".| Ambos satisfizeram perfeitamente a missão que lhes foi confiada.
Depois do segundo espetáculo, na Pensão Guararense, o digno Prefeito Cel. Bertholdo Garcia Machado, ofereceu ao vitorioso grupo de amadores dramáticos, opípara ceia, da qual comparticiparam pessoas de destaque, entre as quais J. B. de Melo e Pedro Orlando, do alto comércio do Rio de Janeiro. Aí, o nosso redator e diretor cênico das representações, levantou um brinde de agradecimento ao ator que não se viu em cena, mas que muito concorreu para o bom êxito das representações, o mecânico do cenário e palco, o solícito e incansável Ângelo Viggiano.
A ordem foi perfeita e a alegria e contentamento generalizados.
Os nossos parabéns, os nossos aplausos, todo o nosso entusiasmo de hoje, são para as pessoas que tomaram parte nos festejos de tão empolgante quão surpreendente inauguração.
Que a nossa gente, principalmente a nossa mocidade se disponha a nos proporcionar momentos agradáveis no nosso Teatro Municipal, são os votos ardentes que a todos dirigimos.

TEATRO MUNICIPAL DE GUARARÁ
A SUA INAUGURAÇÃO HOJE

Com o titulo e subtitulo acima, o nosso brilhante colega “O Município”, dá vizinha cidade de Bicas, de 23 de corrente, assim se expressou:
"Avalia-se o grau de adiantamento de um povo pelos seus monumentos e pelas associações culturais que possui.
Guarará está no rol das cidades adiantadas de nosso país.
A inauguração hoje de seu teatro municipal é um atestado sobejo de grande adiantamento.
Com a inauguração de hoje estreia também uma nova escola dramática que com o elemento que possui muito vai deleitar aquele povo ordeiro, trabalhador e que sabe cultivar uma difícil e agradável arte, o teatro.
Prevemos um belo sucesso, para hoje e amanhã deverá ser repetido o festival.
Ao sr. Prefeito daquela vizinha cidade, sr, cel. Bertholdo Garcia Machado, somos gratos pelo gentil convite que nos endereçou para assistirmos os atos e prometemos, gostosamente, lá comparecer".

Jornal "O Guarará", ANO XXI N.º 23,

Guarará, 30 de Junho de 1940

sábado, 14 de setembro de 2013

PENSAMENTOS

PENSAMENTOS

I

Se queres viver em paz, trabalha e confia, porque o trabalho é a honra e a confiança é a vitória na luta.

II

Quando tiveres de censurar o teu próximo, olha para dentro de ti mesmo: evitarás assim a injustiça de recriminar defeitos que, às vezes, só o teu caráter possui.

III

Não acuses o teu semelhante, para que brilhem sempre, com maior intensidade, as tuas virtudes.

IV

Nunca maldigas os teus detratores, porque a infâmia, na boca dos maus, não avilta a quem a recebe: honra e distingue

V

O perdão é a melhor arma contra os maus, porque ele é o exemplo do amor e do desprezo.

VI

Evita ser elogiado pelos caluniadores vulgares, porque o elogio do canalha põe em dúvida a reputação de quem o recebe.

VII

Não te orgulhes das tuas virtudes, porque é pela humildade que serás julgado e reconhecido.

VIII

Queres saber o quanto vales?
- Fecha o livro da Vida e abre o do Morte.

IX

Muito vale a beleza; mais vale, porém, a bondade. A beleza pode ter a graça; mas a bondade é a própria alma - essência da vida.

X

Se quiseres conhecer o critério dos homens, compulsa a série dos revezes por que hajam passado; pois só é marinheiro mestre aquele que tenha navegado em mares tormentosos.

XI

Sê prudente: a prudência é a força que dirige o critério dos homens.

XII

Ganha-se o céu não é, apenas, amando a Deus: é sofrendo por amor d'Ele. A dor é a vitória e o aperfeiçoamento da alma humana.

Guarará - 1924.
Luiz de Freitas Santos.

Guarará, 14 de Julho de 1024

Jornal "O Guarará", ANNO VI NUM. 259

TEUS OLHOS

TEUS OLHOS

Jamais, querida, encontrei em toda minha vida, olhos lindos como os teus que falassem tão misteriosamente à minh'alma...
Analisando-os sempre, no percurso de lágrimas de nossa mocidade, admira-me senti-los cada vez mais belos, cravados no teu rosto angélico como duas límpidas estrelas, sempre derramando luzes, que não amortecem, que não se apagam nunca.
São poemas eternos de irradiações mágicas. Duas contas de brilhante prego, capazes de magnetizar a alma das próprias pedras, as próprias estrelas do Céu, a força imperiosa da própria Natureza.
Amai-os com delírio, é o maior gozo de todo o meu ser.
À sua inspiração, focalizo, em minhas meditações, todo o panorama do nosso Passado, todas as cismas do nosso Presente, todos os desejos do nosso Futuro.
A sua luz desperta-me as esperanças, enche de amavios e gorjeios a solidão em que vivo, a cela escura de minhas mágoas.
Pelos teus olhos, Querida, eu vivo. Pelos teus olhos, eu amo. Por eles, creio. Por eles, recebo a sagrada unção em todos os revezes e desilusões de minha vida.
Lindos olhos, olhos de Anjo, Evangelho de meu Amor, centelhas de minhas Esperanças, iluminai sempre o roteiro de meu alanceado Coração...
Flor de Liz.


Jornal "O Guarará", ANNO VI NUM. 257

Guarará, 29 de junho de 1924

O PARQUE DA SAUDADE

O PARQUE DA SAUDADE
A Flor de Liz

O Orvalho matutino caia das árvores... Dir-se-ia que o velho parque também chorava, embalado pela recordação mórbida de algum sonho de amor que se houvesse abrigado sob as suas rugosas árvores, de comas maxixantes, no gracioso bailado à vibração branda, na friorenta manhã de junho, E as gotinhas pingavam, lágrimas cristalinas, fragmentos de arco-íris, depois de saltitar de folha em folha, engalanando as árvores, como joia preciosa, a que não é dado ao homem dela se adornar, indo enfim de encontro à terra úmida, onde se esfacelavam, num doloroso gemido talvez, como certas almas puras se esfacelam de encontro ao lodo...
Elas desapareceram, sugadas pela terra, como desaparece e se empana a pureza da virtude imiscuída na canalhice do vício...
O orvalho pinga das árvores... O velho parque chora, assim, todas as manhãs... Disseram-me que era o pranto da saudade. Engano! É o canto das árvores cheias de seiva, luxuriantes?... Mas não, também não pode ser... Presume-se que seja o pranto eterno do seu eterno sofrimento!

B. Horizonte - 1924.
Plínio de Freitas.

Jornal "O Guarará", ANNO VI, N.° 261

Guarará, 21 de julho de 1924

REMINISCÊNCIAS

REMINISCÊNCIAS

Nesses teus lábios, Querida, depõe o meu Amor a apologia mais santa de seus devaneios,..
Lábios que riem, lábios que falam, lábios que oram, lábios que beijam, em qualquer dessas atitudes da Alma, tem eles harmonia celeste, tem eles o mistério que encanta, que atrai, que fascina.
A palavra, que deles irrompe, é a palavra mansa da Bondade, é a prece que vai até Deus, e emociona todos os nossos sentidos.
Os sorrisos, que eles espalham, são perfumes de eterna candura, de ingenuidade santa.
Quando oram, a fé ilumina-os, refletindo neles a tua própria Alma, minha Amada, alma cheia de mansidão, de humildade e ternura.
Quando beijam, aí é que resumem eles o mais belo poema da Vida. Os beijos, que florescem na concha de teus lábios, são beijos que valem por toda a grandeza de meu Amor, por toda a eloquência de minh'alma, por todos os desejos de meu coração.
De teus lábios, Querida, guardo, no cenário vivo do meu pensamento, a mais intensa de todas as saudades de minha Vida, bendizendo-os sempre através das reminiscências dos beijos que já trocamos...
Flor de Liz

Jornal "O Guarará", ANNO VI, N.° 261

Guarará, 21 de julho de 1924

FANTASIA

FANTASIA

Dificilmente encontrará refrigério a dor intensa que me abriste na alma... Viverei de tua saudade, porque carregarei eternamente no espírito o cadáver das minhas ilusões. Mentiste à tua consciência e incineraste a minha crença. O teu nome, que tanto tempo me cantou nos lábios, aflora hoje em outro coração. Do teu abandono resta-me, na solidão e no delírio, o desespero do teu perjúrio.
Tens a cabeça louca das crianças; e, como as borboletas, em pleno frescor de setembro, vais de flor em flor, asas batendo, à procura da vida, do gozo, dos esplendores que não encontraste em mim, onde só existe um coração para amar-te, uma alma para querer-te, um espírito para defender-te...
Vai, e quando o inverno chegar, ai de ti... borboleta louca! arrebatada pela desgraça do tempo e do destino, não ficando a tua alma despedaçada mais que arrependimento da tua loucura, o remorso da tua deslealdade, o frangalho das tuas esperanças, a convicção de que só o Amor é sublime na Vida, só o Amor é verdade, é luz, é redenção...
Vai... cumpre teu destino!
Ivaí de Carvalho

Jornal "O Guarará", ANNO VI, N.º 267

Guarará, 7 de agosto de 1924

PARA O TEU ÁLBUM

PARA O TEU ÁLBUM

Amo-te, minha santa: seja esta a prece eterna do meu coração. Amo-te com a penitência de um crente, com a paixão de um louco. Abro meus olhos à Natureza em todos os seus fulgores, em toda a sua eloquência, em toda a sua perfeição e em todos os seus mágicos arrebatamentos; e voltando o meu olhar para dentro de mim mesmo, onde tu vives e palpitas, com toda a tua pureza, com todos os teus enlevos, com toda a tua graça radiante - vejo - que, na grandeza infinita do Céu e na majestade toda do Universo, não há um astro que se possa comparar á tua beleza; uma flor que recenda o teu perfume; um quer que seja mais doce que o teu olhar; mais formoso que o teu rosto; mais harmonioso que tua voz; mais cândido, mais meigo, mais tocante e mais atraente que tua alma!
Amo-te e quero-te; acompanho-te e bendigo-te. Meu coração vela os teus passos; meus passos seguem-te a sombra; meus olhos adoram-te; meus braços abrem-se para os teus braços, como a cruz em cuja sombra a dor se santificou, o amor redimiu e venceu.
Amo-te, mulher ideal; e a maior aspiração de minha Vida é fazer, como Jacó, uma escada de luz, que nos conduza ao cimo da felicidade, onde, abraçados num mesmo desejo e numa mesma ânsia de amor e de beijos, cantemos a vitória do coração, o triunfo das nossas Esperanças.......

Flor de Liz

Jornal "O Guarará", ANNO VI, N.º 264

Guarará, 17 de agosto de 1924

quinta-feira, 12 de setembro de 2013

MAESTRO AMIR PASSOS

MAESTRO AMIR PASSOS

O desaparecimento do exímio compositor e grande musicista guararense.
Após prolongada enfermidade e cruento martírio, faleceu no dia 20 de Agosto findo, na Capital Federal, onde residia, o nosso boníssimo amigo maestro Amir Passos, que soube com a sua inteligência e arte, elevar o nome de Guarará, sua terra natal, além das fronteiras de nossa Pátria.
Exímio compositor e de fino gosto, deixa escrita várias peças clássicas que atesta os seus altos méritos de artista. Conhecedor profundo da música, Amir Passos fazia parte, como primeiro pistonista, da grande Orquestra Sinfônica do Teatro Municipal do Rio de Janeiro, onde a sua inteligência brilhou e onde ele era admirado pelo seu saber e pela sua cultura artística.

Várias foram as excursões que Amir Passos, fez pelos países Sul Americanos e pela Europa, levando àquelas paragens a música brasileira.
Nasceu nesta cidade sendo filho do professor João dos Passos, já falecido e de Dona Judith de Alvarenga Passos.
Recebeu de sua bondosa mãe que é perfeita conhecedora da arte musical as primeiras lições. Fez parte como pistonista. de várias bandas musicais de Guarará, indo para Bicas onde fez parte da Corporação Musical do Liceu Operário e de lá para o Rio. Após diligentes estudos, se aprofundou na arte, tornando-se um exímio maestro, um compositor de renome e um musicista de valor.
Coração boníssimo, alma afeita à prática do bem e de uma humildade que encantava.
Quando aqui esteve veraneando e revendo es seus velhos amigos e parentes, nós que fomos seus vizinhos e tivemos a ventura de privar mais perto com ele, é que podemos dizer da grandeza de sua alma e do devotado amor à sua terra.
Já com o seu organismo minado pela enfermidade, enfraquecido e desalentado, um dia Amir Passos, idealizou uma peça sacra intitulada Oratória.
Noites e noites assistimos o grande músico guararense, debruçado sobre uma tosca mesa, compondo este mimo de arte e com o concurso de numerosos músicos do Rio e grande coro vocal levou a audição, em Bicas, cujo sucesso alcançado é este, conforme cita o nosso brilhante colega "O Momento de Bicas":
A 1.ª audição foi a 15 de novembro de 1933, e tal foi o sucesso e a sensação de encantamento ficada em quantos assistiram o empolgante concerto, que a 14 de fevereiro de 1939 foi ela reprisada, com novo e insuperável êxito. Está na memória de todos o que foram a estes dois grandes espetáculos de arte, sendo de se citar que Bicas deve a Amir Passai portanto estas duas oportunidades que teve de conhecer e apreciar a boa música, através de um conjunto formado com elementos da melhor orquestra do País, ventura que a muito poucas cidades da interior teria sido dado fruir.
Era casado com a exma. sra. Dona Meri Passos, deixa os seguintes irmãos os srs. Printeas Passos, Doctarso e Azamor Passos e Dona Afra dos Passos Gribel (Lolote), casada com o nosso distinto amigo Sr. Álvaro Gribel e era sobrinho do nosso prezado amigo Sr. Apolinário Batista de Alvarenga e da exma. Sra. dona Carmosina Alvarenga Leite, digna consorte do nosso estimado redator chefe Cel. Afonso Leite.
Ao registrar este doloroso acontecimento, endereçamos à sua digna viúva, à sua extremosa mãe, seus irmãos e a todos os mais parentes seus, as nossas sentidas condolências.

Jornal "O Guarará", ANNO XXII, N.º 31,

Guarará, 1 de Setembro de 1940

UM ARTISTA

UM ARTISTA

Na velha e gloriosa Roma dos Césares, a pátria de todas as artes, onde brilharam em lampejos de gênio, os espíritos privilegiados de Michelangelo, Leonardo da Vinci e Rafael as vocações artísticas mereceram sempre não só das classes médias da sociedade como dos poderosos do tempo, carinhoso interesse e generosa proteção.
Entre os grandes estimuladores das ciências das letras e das artes destacava-se Mecenas, o favorito de Augusto. Esse notável filantropo, não raro abria o tesouro da sua munificência aos eleitos da arte, estendendo-lhes a mão generosa e amiga para conduzi-los, muitas vezes, aos píncaros da perfeição e da glória.
Filhos ao povo, homens de origem humilde, que trouxeram do berço a marca do gênio e o estigma da miséria, se tornaram célebres, sob o benéfico patrocínio de Mecenas.
Esse altruístico movimento em prol das ciências, das letras e das artes, contribuiu, sobremaneira, para que a Cidade Eterna atingisse ao fastigio do poder, á extraordinária grandeza, fulgindo no galarim da fama e sobrepujando as demais metrópoles do tempo.
Imitemos, pois, o magnânimo Patrono dos artistas romanos, amparando, na medida de nossas forças, a mocidade patrícia, que deseja cultivar o intelecto, especializando-se no culto das artes.
Auxiliar as inteligências privilegiadas não é apenas praticar uma obra de caridade para com os nossos semelhantes necessitados; não é somente um gesto de bondade ou de filantropia, mas, sobretudo, um ato de verdadeiro patriotismo, por isso que o protegido de hoje pode ser amanhã um compatriota ilustre, um brasileiro, célebre, cujas conquistas e cujas glórias então já lhe não pertencerão apenas, mas constituirão um patrimônio da grande pátria comum.
Existe no nosso município um jovem pintor, para o qual devem voltar a sua benévola atenção todos quantos reconhecem e admiram as verdadeiras vocações artísticas.
Chama-se Ovídio de Azevedo o inspirado conterrâneo.
Alma afeita às concepções do belo, a sua palheta realiza primores. Simples diletantes, pois nunca recebeu lições, nem teve mestres, nem conheceu escolas, cultiva, por habilidade inata, variados gêneros de pintura.
O seu gênio artístico deve, pois, ser educado num ambiente propício, onde a sua vigorosa inspiração possa voar livremente, expandindo-se em criações maravilhosas. Mas Ovídio de Azevedo não dispõe de recursos materiais para estudar pinturas, num curso regular e perfeito.
Por isso, apelamos para o generoso povo guararense, para os nossos colegas de imprensa da vizinha cidade de Bicas, e para todos quantos reconhecem o seu real valor, no sentido de auxiliá-lo pecuniariamente facilitando-lhe os meios de se matricular na Escola de Belas Artes da Cidade do Rio de Janeiro.
Para a realização do formoso ideal desse esperançoso conterrâneo, abrimos hoje uma subscrição popular, achando-se o respectivo livro nesta redação ao dispor de quem quiser aderir à tão nobre quão justa iniciativa.

SUBSCRIPÇÃO A FAVOR DO PINTOR OVIDIO DE AZEVEDO
Redação do "O Guarará" ........ 100$000

Jornal "O Guarará", ANNO XI, N.º 520

Guarará, Estado de Minas, 12 de Janeiro de 1930

quarta-feira, 11 de setembro de 2013

INOCÊNCIA

Inocência

Newton Gribel, um jovem ainda, que e uma revelação perfeita de artista, estando, por isso, incluído no número dessas vocações precoces e prodigiosas que a Arte nos dá a todo momento, acaba de ultimar um quadro mimoso, expressivo e belo, simbolizando a “Inocência”. O quadro de Newton Gribel representa duas crianças, abraçadas que se afagam.
Se nos falece competência para a critica do trabalho do jovem e habilidoso artista, sobra-nos, contudo, o direito de externarmos o entusiasmo que o mesmo nos despertou, já pela expressão e vivacidade, pela harmonia e perfeição que o desenho, de pronto, revela. Pode a análise de um idôneo descobrir-lhe defeitos e lhe apontar senões; mas não poderá jamais um critico, justo e autorizado, negar-lhe encômios sinceros pela firmeza e combinação de traços que o seu conjunto apresenta.
Então, se considerarmos a alta virtude de não haver o jovem desenhista frequentado uma lição, apenas, de Escola alguma desse gênero, ou recebido instruções de qualquer espécie de profissionais, chegaremos a praticar a mais serena das justiças, afirmando que "Inocência" é um trabalho que impressiona, é um quadro que orgulha a seu autor.
"Inocência" vai ser oferecido ao leilão do dia 15 (de junho de 1922), em beneficio das festividades que aqui se realizam para o concerto da Matriz. Oxalá que apareça, entre os seus arrematantes, alguém que saiba fazer-lhe justiça, que saiba dar-lhe o valor que ele tem.
É este o nosso desejo, e é esta a nossa impressão, que aqui consignamos, com os maiores parabéns ao inteligente jovem Newton Gribel, a quem estará reservado um brilhante futuro nesse delicado ramo da Arte humana.

Jornal "O Guarará" ANNO V, N.º 151

Vila de Guarará, 11 de junho de 1922

quinta-feira, 2 de agosto de 2012

POETA QUE O TEMPO ESQUECEU... (I)

POETA QUE O TEMPO ESQUECEU...

Os termos de nossa língua pátria "esquecido" ou "lembrado" guardam uma concordância imediata com o grau de importância de um objeto, de um lugar, pessoa, ou ideia, até porque lembrar ou esquecer são coisas subjetivas... Mas e em se tratando daquele que é anônimo ou desconhecido? Como medir a importância?...
Bom, esse é precisamente o caso do major Francisco Batista de Alvarenga, médico, cirurgião-mór do exército brasileiro e que aqui estava, morava e cumpria as funções de delegado de vacinação, nomeado para o desempenho dessas funções no Espírito Santo do Mar de Espanha (Guarará), seguramente entre os anos de de 1893 (1) e 1896 (2), onde consta os valores em moeda a ele dedicados como pagamento pelo desempenho de suas funções.
Francisco era natural do Rio de Janeiro, onde nasceu em 1823. Era filho de João Batista de Alvarenga e de dona Mariana Batista de Alvarenga. Era filho da ilustre família a qual pertencia o marquês de Sapucaí, de quem era sobrinho e primo do renomado médico mineiro, o Dr. Luiz José de Alvarenga, (que, por sua vez, era filho do Dr. Francisco de Paula e de Dona Inácia Francisca de Alvarenga). (3
Segundo Nicola Falabella, falando sobre a família Alvarenga, diz que é "...admissível que alguns de seus membros tenham participado, nos idos de 1820 ou 1830, da fundação do Arraial de Nossa Senhora das Mercês do Cágado..."  e que dentre os cento e sete prédios existentes em 1856 na localidade, os pais de Francisco constam como proprietários de dois imóveis na Rua do Comércio (atualmente Estevão Pinto).
Emenda o historiador Falabella que "...Após a instalação do município Francisco tenente e depois capitão, é "tido e havido na comunidade como cidadão idôneo e esclarecido, é nomeado para o cargo federal de auxiliar do agente do Correio Souza Lima." e que o mesmo possuía, além da honestidade, um bom domínio das letras, era um bom conhecedor da cidade e seus moradores, além de deter algum prestígio político, já que, a um só tempo, acumulava os cargos de subdelegado de polícia e funcionário dos correios.
 Pai e filho se ajustam de pronto à vida e costumes da nascente Mar de Espanha. o Alferes João Batista de Alvarenga, pai de Francisco, de ajudante de correios em 1852, proprietário de imóveis (casa de Ângelo Galo, ao lado da cadeia) em 1862 torna-se vereador em 1868. O filho, Francisco (tenente, capitão e depois major - residente nas imediações da Biquinha da Rua Nova), de subdelegado em 1853, médico homeopata em 1862, torna-se, tempos depois, cirurgião-mór da guarda Nacional sediada em mar de Espanha.(z)
Ao mesmo tempo em que serve ao exército ele presta clinica na mesma cidade tanto que em janeiro de 1892 (O Estado de Minas Ano III, N 272 Ouro Preto 9 de janeiro de 1892 e Gazeta de Noticias sábado 23 janeiro de 1892) ele é multado em 100$ pela inspectoria de higiene estudal pela pratica de curandeirismo. Obviamente pela prática não oficial da médicina, coisa que nada tem a ver com curandeirismo, até porque essa não era a sua formação.
Ele serve como capitão cirurgião-mór até os idos de 1889, aproximadamente e já para 1893 e nos anos seguintes, já com a patente de major, ele é delegado vacinador em Guarará. 
Em 1897, no dia 9 de fevereiro ele é exonerado a pedido do cargo de subdelegado de polícia de Guarará e para seu cargo é nomeado Claudiano de Matos e João Dias Valadão, Carlos Antonio Friaça e José Luiz de Souza, como 1º, 2º e 3º suplentes de subdelegados da mesma delegacia (Jornal Minas Gerais ANNO VI, N 40 ouro Preto, 10 de fevereiro de 1897).
De aspectos outros de sua formação, além do fato de mostrar-se posteriormente como um literato de valor considerável e médico do exército, pouco é sabido. De outras funções que ocupa está que o Almanak da Província de Minas Gerais, para o ano de 1864 (pg 310), aponta-o como escrivão do distrito do Mar de Espanha. O mesmo Almanak para o ano de 1865 (pg. 440, 445, 446), aponta-o como tenente e cirurgião do exercito, servindo à companhia designada para Mar de Espanha e o mesmo Almanak para os anos de 1872/1873 (pg. 277, 278, 281), aponta-o ainda como cirurgião do exercito, a serviço do 58º Batalhão. (**)
Em Guarará ele exercerá vários cargos, como por exemplo em 24 de Junho de 1892, é um dos eleitos para a mesa eleitoral da 2ª secção, que atuaria nas eleições futuras como, por exemplo, a do dia 15 de novembro (de 1892), convocada para o preenchimento de uma vaga aberta com o morte do deputado Dr Francisco Correia Ferreira Rebelo.
No ano seguinte, em 17 de setembro de 1893, a intendência municipal indica o seu nome ao Diretor do Instituto Vacínico de Minas, pedindo sua nomeação como delegado vacinador para o Município.
Mas o que era um delegado vacinador ? Bem, o termo delegado não designa necessariamente uma autoridade policial; delegado vem de "delegar", de "delegação" ou "representação", ou seja "aquele que representa" ou está "incumbido de"... E mesmo se fosse policial, o termo policiar indica "vigiar", "por atenção", "investigar", "dar conta"... Assim, Delegado Vacinador era uma espécie de autoridade médica incumbida de atuar na imunização, erradicação de uma doença, epidemia, etc... Vigiar, controlar a saúde no local, basta dizer que o surto de varíola que acometera Bicas naqueles anos era um algo assustador. (7) Ele poderia ser o que chamamos hoje de agente de saúde, um pouco mais ampliadamente, ocupava as vezes de médico (em alguns casos até mesmo cirurgião), farmacêutico e, se necessário, até de dentista.
Até porque, na intenção de conter a epidemias, esta era uma função de extrema urgência em algumas localidade , sobretudo naquela época precisa. Em 15 de outubro de 1891, por exemplo a Câmara oficia ao Presidente do Estado de Minas Gerais nos seguintes termos: "...apesar de todos os esforços aplicados para a extinção da varíola neste Município, tem esta tomado proporções assustadoras nos distritos de Guarará e Maripá, onde acaba de falecer a esposa de um dos membros do Conselho, sendo felizmente limitado o numero de óbitos, em razão das providências tomadas. Tendo a epidemia se declarado há quase 2 meses e parecendo continuar em virtude de novos casos..." No ano seguinte, em 21 de agosto de 1892, oficia ao Inspetor Geral de Higiene Pública na Capital Federal e ao Dr Inspetor Geral de Higiene do Estado de Minas, nos seguintes termos: "Tendo-se propalado neste Município a epidemia da varíola e sendo grande a procura de vacinas, rogo-vos me mandeis com a máxima urgência mais alguns tubos de vacina, porquanto acham-se esgotados os que recebi; e conquanto pensou-se aproveitar a vacina humana é necessário que mos envieis." E depois, em 8 de maio de 1895, tendo a epidemia grassado em Bicas, é formada uma comissão composta pelos seguintes membros: Dr. José Telles de Menezes, Dr. Afonso Lobato, Dr. Emílio Luiz Rodrigues Horta, Dr. José Higino da Silveira, Dr. Belisário Monteiro de Castro, o Barão de Catas Altas e Francisco Ferreira Nunes de Assis, os quais teriam a função de "tratar de medidas enérgicas para debelar a epidemia em Bicas". Pouco depois focos epidêmicos atingem Pequeri, sendo extintos por volta de 1900. (7a)


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O major Francisco Alvarenga teve outras funções, como por exemplo em 21 de abril de 1894 era um dos membros seccionais encarregados do alistamento federal (conforme art 48 da Lei de 26 de Janeiro de 1894.), é ele o delegado de vacinação neste período (conforme ofício de 25 de Outubro de 1894), etc.


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Entre 1896 e 1898, existe uma bela vela ausência de dados sobre o aludido e só em 23 de março de 1889, é que vamos encontrar outra referência sobre ele, onde figura como um dos convidados de honra, para a recepção-homenagem que fora feita para o comendador Francisco Joaquim de Noronha e Silva, fazendo parte do corpo de oradores, na comemoração à comenda da Ordem da Rosa, (8) com a qual este havia sido agraciado pelo imperador Pedro II.
A esta festa recepção compareceram os ilustres homens da época: Dr. Geraldo Lima, Dr. Francisco Mercadante, Camilo Santos, Gustavo Pereira, e José Álvares Junior, Virgílio Mascarenhas, José Machado, O. Padilha, Norberto Carvalho, o maestro Sr Fernandes Januário, encarregado de organizar a banda musical durante a marcha comemorativa, o Sr. Frederico Augusto Silva, como orador oficial, e oradores outros como Marcelino Barcelos (ainda menino), Dr. Mercadante, Aurides Rabelo e Augusto Clementino, representante da colônia portuguesa, Firmin François Alibert, etc... e o Sr. capitão cirurgião-mór Francisco Batista de Alvarenga, que recitou de sua autoria um soneto, escrito para o homenageado, que provocou aplausos esfuziantes aplausos entre os presentes. (4) (5)
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Em 23 de março de 1889 o Espírito Santo do Mar de Espanha em grande comemoração, festeja, com todas as pompas necessárias e competentes, a comenda recebida pelo seu principal chefe político: ARTIGO COMPLETO DAS FESTIVIDADES AQUI NESTE LINK.

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          Francisco era casado com Maria Amélia Carolina Alvarenga. Ela morre em 08 de abril de 1859, aos dezoito anos de idade, deixando um filho de dois anos (Francisco Batista Alvarenga Júnior). Francisco, em segundas núpcias, casa-se com Cândida Amélia de Alvarenga (dona Candinha) (3e), filha de João Luciano Pereira. (3d) Ele morre aos 83 anos, no dia 4 de agosto de 1906, às três horas da tarde. Do seu segundo matrimônio ficou uma numerosa prole de nove filhos:

- Francisco Batista Alvarenga Júnior (1857-1918) - 49 anos (casado com Josina da Costa Ribeiro Alvarenga, filha do Coronel Caetano da Silva Ribeiro e Dona Januária Maria da Costa Ribeiro)
- Maria de Alvarenga - 42 anos
- Carmosina de Alvarenga Leite -  40 anos - (c. c. o Cel Afonso Leite.) (3b) (3c)
- Adelina de Alvarenga -  38 anos
- Judith de Alvarenga Passos -  28 anos (c. c. o Cap. João dos Passos), (*
- Izabel Alvarenga de Assis (Beca) -  36 anos - (c. c. Theodolindo Ferreira de Assis)
- Cap. Apolinário Batista de Alvarenga. Nascido em 23 de julho de 1868 (38 anos à morte do pai)
- Manoel de Paula Alvarenga (1880-1942) - 26 anos (3a) (c. c. Aurora Pinto de Matos Alvarenga. Pais de Léa e Elza de Alvarennga) - 
- Hespérides de Alvarenga - 15 anos
- Agenor de Alvarenga casado com Cantianília Ribeiro Alvarenga (Filha do primeiro casamento do Cap. Josino Ribeiro da Silva com Dona Maria Ribeiro Silva)

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Muito, ou quase tudo, sobre o major Francisco Batista de Alvarenga, entretanto, é esparso, fragmentado ou desconhecido; sua vida, descendência, feitos, obra literária. Percebe-se todavia, pelo pouco que é sabido de seus escritos, que tinha ele o esmero clássico de um poeta dedicado, preciso e de linguagem ampla. Tinha as idéias claras e traçava de um modo organizado e bem urdido suas linhas poéticas e que era bem versado, ilustrado, douto e possuía uma perspicácia e um refinamento dignos de elogio e apreciação.
Era, declaradamente, um leitor de poetas clássicos, não o fosse não teria a estatura criadora de uma produção tão distinta e bela. Ele produzia textos poéticos em quantidade já que tinha uma produção capaz de servir à edição de um livro.
O pouco que é sabido do autor em referência ficou registrado em, não muitas vezes, em alguns jornais da época, a exemplo de "O Pharol", conforme segue abaixo: (6)

"A 3 do corrente (agosto de 1906), pelas 2 horas da tarde, faleceu nesta vila, contando cerca de 80 anos de idade, o estimadíssimo cavalheiro major Francisco Batista de Alvarenga.
O finado era cirurgião-mór do exército e exercia há muitos anos a medicina, sendo muito bem quisto porque era extremamente caridoso.
Cultivava a poesia e almejava publicar em volume as suas produções, o que não conseguiu devido a dificuldades múltiplas. Morreu placidamente, marcando os minutos de vida que lhe restavam e as suas ultimas palavras foram um doloroso lamento "por morrer sem ver seu filho Manoel formado e sem conseguir publicar o seu livro de poesias."
Era um justo, um coração magnânimo, chefe extremosíssimo e amigo dedicado.
O seu enterro, efetuado no dia seguinte, foi bastante concorrido; amigos dedicados prestaram-lhe a derradeira homenagem, acompanhando os seus despojos à última morada. Paz à sua alma."

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Embora a insuficiência de dados não nos permita um conhecimento amplos, podemos inferir sobre o caráter e do quão importante fora este cidadão para com os seus.

Guarará, agosto de 2012
F.T.Oliveira

Notas de rodapé: 
1 - Jornal "Minas Gerais", ANNO II, N 303, Ouro Preto quarta feira 8 de novembro de 1893;
2 - Jornal "Minas Gerais", ANNO V, N 072, Ouro Preto, domingo 15 de março de 1896;
3 - BIOGRAFIAS DE MÉDICOS E JURISTAS -  "Além de declarar o seu parentesco com  o Dr. Francisco Batista de Alvarenga, o Dr. Luiz José de Alvarenga, explicitou em sua tese "Eplepsia", à Faculdade do Rio de Janeiro em 1874, que era sobrinho do Conselheiro de Estado e Senador do Império, o Marques de Sapucaí."; Fica claro que o major Francisco Batista era bisneto de José de Araujo da Cunha  e de dona Úrsula Maria de Alvarenga. Neto de Manoel de Araújo Cunha Alvarenga e de dona Mariana Clara Viana, que tiveram três filhos:
          - Cândido José de Araújo Viana, 1º marquês de Sapucaí * 15.09.1793
          - Francisco de Paula Alvarenga (Ignácia Francisca de Alvarenga)
          - Silvério Augusto de Araújo Viana (pai de Rita de Cássia Alvarenga)
          O primeiro e o segundo eram sabidamente tios, resta saber se o terceiro era seu pai.
3a - Jornal "O Guarará", 14 de fevereiro de 1936 e "O Guarará" de 02 de fevereiro de 1941; Manoel de Paula Alvarenga alto funcionário do Tesouro Nacional, residia no Rio de Janeiro, capital federal. Ele era casado com Autora de Matos Alvarenga e pais de Léa Alvarenga;
3b - FALABELLA, Nicola. - Antes que a luz se apague, pg 101;
3c - Jornal "O Pharol", ANNO XXXIV, N. 270 - Juiz de Fora, sábado, 19 de maio de 1900.;
3d - Jornal "Gazeta de Notícias", quinta-feira, 17 de março de 1892;
3e - Jornal "O Guarará", ANNO III, N.º 15, de 19 de outubro de 1919, p3;
4 - Jornal "A Província de Minas", ANNO IX, N. 582, Ouro Preto, 8 de maio de 1889;
5 - Jornal "O Mar de Hespanha", 14 de abril de 1889 ;
6 - Jornal "O Pharol", ANNO XL  - Juiz de Fora, sábado, 11 de agosto de 1906.
7 - Jornal "Minas Gerais", ANNO I, Nº. 116 de 19/08/1892; - ANNO I, Nº. 129 de 01/09/1892; - ANNO I, Nº. 130 de 02/09/1892; - ANNO I, Nº. 166 de 09/10/1892; - ANNO IV, Nº. 055 de 28/02/1895.
7a- O Pharol, sexta-feira, 14 de setembro de 1900;

8 - A Ordem da Rosa, instituída pelo Imperador Pedro I, foi maiormente distribuída no reinado de Pedro II, entre os anos em que o Brasil guerreava contra o Paraguai, ou seja, entre 1867 e 1870, eram os seguintes os seus graus: (1) Grão-Cruz; (2) Grande Dignatário; (3) Dignatário; (4) Comendador; (5) Oficial e (6) Cavaleiro.
9 - Comando superior do Mar de Espanha criado por decreto N. 1157 de 15 de abril de 1857.
10 - Não foi ainda possível precisar o grau de parentesco entre os dois. João Batista Alvarenga depois, segundo o  Almanak da Província de Minas Gerais  para o ano 1869/1870 (p. 344), vai servir como Juiz de Paz no Distrito dos Cristais, conservando ainda a função de partidor no Distrito de Mar de Espanha (p 478).
z- Obreiros de Mar de Espanha, compilação em cópia única e não editada. 

(*) Judith Alvarenga Passos e o Capitão João dos Passos foram pais de:
- - Afra dos Passos (Lolote) casada com Álvaro Gribel (pais de Norma Gribel)
- - Amir dos Passos
- - Primptéas dos Passos
- - Azamor dos Passos
- - Doctarso dos Passos

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O Juiz dr. Arnaud Gribel, nasceu em 15/4/1871 em Mar de Espanha e morreu em 8/3/1945 em Guarará, aos 73 anos vitimado por colapso cardíaco, à época já viúvo e aposentado. Era filho de André Gribel e dona Luiza Tereza Gribel (filha de Augusto e Carolina Egg). Ele era neto por parte de pai do migrante alemão Salomão Matheus Gribel e Margarida Maria, pais de André.
Os irmãos de Arnaud eram:
- Augusto Carlos Matheus Gribel (04/12/1854-17/5/1925).
- Arminda
- Andrelina Augusta Egg Gribel.
Arnaud fora casado com dona Alzira Vieira Gribel (1873-1923). O casal foi pai de:
- - Hermann Gribel   - casado com Sebastiana de Araújo Gribel
- - Álvaro Gribel (1899-1969)   - casado com Afra dos Passos (Lolote) (1908-1982) -  (pais de Norma e Maria Helena Gribel)
- - Newton Vieira Gribel   - casado com Amélia Ancêde Gribel
- - Arnaud Vieira Gribel (Arnozinho)   - casado com Maria José Roque Gribel (filha de Paulo Roque)
- - Aquiles Vieira Gribel.


(**) O Almanak da Província de Minas Gerais, para o ano de 1864 (pg 310), aponta-o como escrivão do distrito do Mar de Espanha, à mesma época que dona Mequilina da Silva Catete era professora de primeiras letras, eram vereadores, Pedro Maria do Costa, Agostinho José Frederico de Castro, Silvestre Antonio Rotier Duarte, Manoel Caetano Ribeiro, Joaquim Henrique da Silva, Rodolfo Jose Antonio de Siqueira Francisco Justiniano de Siqueira, Pedro Marçal da Costa, (*) e Jose Teixeira Alves Costa, o Dr Antonio Vespasiano de Albuquerque era o delegado de policía e o subdelegado e partidor era e João Batista de Alvarenga (10) era subdelegado e também partidor.
O Almanak da Província de Minas Gerais, para o ano de 1865 (pg. 440, 445, 446), aponta-o como tenente e cirurgião do exercito, servindo à companhia designada para Mar de Espanha. Batalhão que estava sob o comando do tenente coronel comandante Antonio Augusto Frederico de Castro (9), ele atua no distrito, a um só tempo, como médico vacinador. Por esta época, servia à 2ª companhia do mesmo batalhão (estacionado no largo do distrito do Mar de Espanha) o tenente comandante Joaquim José da Silva Ribeiro e no largo da Igreja do Divido Espírito Santo do Mar de Espanha, estava a 6ª Companhia, formada pelo comandante José Joaquim Monteiro de Castro e Agostinho Fortunato Monteiro da Silva. Em Mar de Espanha os vereadores eram: Dr Francisco Infante Vieira, Capitão Domingos Eugênio Pereira, José Soares Valentim Vieira, José Rodrigues da Costa, Dr M J de C Monteiro Barros, Francisco de Paula Galdino Leite , José Gonçalves da Costa e João Luciano Pereira e o médico vacinador era o Dr Francisco Batista de Alvarenga. Aqui no Espirito Santo do Mar de Espanha, o subdelegado era Antonio Alves Barbosa, o delegado vacinador era Jose Rodrigues Costa e os juízes de paz eram Manoel Pires, José Ferreira da Fonseca e João Antonio Tostes Junior, os Juízes de Paz da localidade...
O Almanak da Província de Minas Gerais, para o ano de 1872/1873 (pg. 277, 278, 281), aponta-o ainda como cirurgião do exercito, agora servindo ao 58.º Batalhão, sob o comando de Comandante Tenente-coronel Antonio Augusto Frederico de Castro. Por esta época os vereadores no distrito do Mar de Espanha são: Dr Joaquim Barbosa de Castro, Dr Francisco Leite de Magalhães Pinto, João Martins da Costa Ramos, Francisco Cesario de Figueiredo Cortes, José Rodrigues da Cosa, Caetano Rodrigues Gomes, João Luciano Pereira e Francisco Joaquim de Noronha e Silva.


(*) Pedro Marçal da Costa era casado com Porcina Angélica de Jesus. Dentre suas propriedades estava a Fazenda Boa Vista ou Pouso Alto. Em testamento Pedro e esposa deixam esta fazenda ao liberto Domingos Marçal da Costa e esposa. Domingos Marçal da Costa, era natural da Costa da África, e a esposa Maria Luiza Angélica de Jesus, era natural de Minas Gerais. A viúva de Pedro Marçal, Porcina Angélica de Jesus, deixa para sua ‘liberta’ de nome Generosa, casada com Mariano José Gonçalves de Rezende, 10 alqueires de terras de 100 braças em quadra. (CAMPONESES NEGROS NA ZONA DA MATA MINEIRA (Juiz de Fora e Mar de Espanha, 1850-1920) Elione Silva Guimarães - Professora e pesquisadora do Arquivo Histórico de Juiz de Fora. Doutora em História Social pela UFF)

OBS: Tratando-se provavelmente da mesma Fazenda Boa Vista, consta em escritura de 20 de junho de 1887, que esta fazenda João José Bastos Pinto, deixara ao filho Dr. José Joaquim Monteiro Bastos e que naquele momento (20-6-1887) ele a vendia a João José Monteiro Bastos. Eram as seguintes as conforntações da fazenda: De um lado, confrontava com o Cap. Antônio José Bastos Pinto, do outro com Pedro José Pires e pelo outro com João Rabelo de Vasconcelos.




TEXTOS ADICIONAIS


Necrologia
          Só pranto, só dor! Desapareceu para sempre da face do mundo minha querida esposa Maria Amelia Carolina Alvarenga, após um ano de sofrimentos acerbos, sofrimentos que mofarão sempre da ciência médica, desapareceu com efeito a esposa sem par, a mãe carinhosa e amiga extremosa, deixando neste proceloso vale de lágrimas um menino do dois anos de idade, que ainda embalado no berço da inocência não chora a perda de sua mãe tão cara; porém, por ele chora seu esposo que coberto de dó jamais deixará de rogar ao Criador por ela, e assim seus ternos pais, amigos e parentes, que inconsoláveis ficam.
          Sim foi o terrível dia 8 de abril de 1859 que conduziu para mim o luto, o pranto e a dor!... é mesmo hoje que desejando assinalar esse dia paru mim funesto, sirvo-me da débil pena, e com os olhos debulhados em lágrimas, umedecendo o triste papel em que escrevo, eternizo minhas penas.
          A execranda parca cortou mais um fio dessa vida preciosa, esquecendo-se da minha dor!... Sim terrível parca qual tua intenção? roubar dos braços do esposo, a esposa cara? por certo que nada mais pretendeste; porém eu te maldigo cruel flageladora dos viventes, pois continuamente das a morte a quem precisa de vida, qual a minha esposa, que estando na aurora de seus dias, contando apenas 18 anos de idade, tu inumana vieste feramente com essa sanguinolenta foice cortar a vida dessa tão necessária a este que hoje envolto na mais acerba tristeza chora e chorará para sempre sua perda.
          Oh! dor! oh! apartamento. Estão cerrados com efeito para sempre no mundo com o véu negro da morte os olhos de minha sempre lembrada esposa, que só se abrirão na eternidade na presença de um Deus misericordioso para receber dele o prêmio que a esperava.
          Restando somente agora irmos ao seu jazigo derramar nossas amargas lágrimas, e desfolhar nesse avaro túmulo que a encerra algumas saudades, em prova de nosso amor, enquanto não vamos vê-la na região celeste.
          A terra lhe seja leve.
          Mar de Espanha, 8 de abril de 1859.
          Francisco Batista de Alvarenga.


Jornal "O Paraíba", quinta-feira, 21 de abril de 1859

Necrologia.
          A morte acaba de ceifar mais uma vida preciosa! Desapareceu do teatro do mundo a Exa. Sra. D. Maria Carolina Alvarenga, sua morte prematura foi um golpe fatal para seu querido esposo e para os hoje inconsoláveis e amantes pai.
          Contava a Exa. Sra. D. Maria Carolina Alvarenga apenas 18 anos de idade, e assim na primavera da sua existência, quando seu porvir raiava brilhante e cheio de esperanças, sucumbe depois de terríveis e longos sofrimentos. Ela desapareceu, como o meteoro e a exalação, um momento depois de haver brilhado.
          E assim se aniquila quem ainda há pouco era contemplada por seu esposo como o poeta contempla a virgem a quem consagra seus cantos. Seu coração benfazejo deixou já de palpitar; e seu corpo envolto em crepe mortuário jaz desanimado e coberto com a lousa do sepulcro - Sic transit gloria hujus mundi
          O que resta pois daquela esposa virtuosa, da extremosa mãe que ainda ha pouco era as delicias do seu inocente filhinho a quem afagava? O que nos ficou daquela alma nobre e caritativa que com mãos benignas enxugava as lágrimas dos desvalidos? Apenas nos resta a sua memória, porque essa nem o correr do tempo, nem o silencio do gelado túmulo riscara dos corações de quantos a conheceram, e puderam apreciar suas virtudes.
          Deus de misericórdia! recebei em vosso seio a alma cândida e pura da Exa. Sra. D. Maria Carolina Alvarenga, e fazei que ela descanse em uma das mansões de vossos escolhidos.
          Sil tibi terra levis.
          Mar de Espanha, 9 de abril de 1859.
          Antonio Avelino da Costa.


Jornal "O Paraíba", quinta-feira, 21 de abril de 1859