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sábado, 9 de novembro de 2013

MARCELINO DE CASTRO MOURA, PROFº

           Ocorreu, nesta localidade, a 10 [de julho de 1919] do corrente, o infausto passamento do sr. Marcelino de Castro Moura, que deixa viúva e sete filhos.
           Aqui residindo há longos anos, Marcelino vivia do magistério particular, passando grande parte de sua vida a lecionar às crianças nas roças e nos lugares onde não existiam escolas estaduais.
           Nesse posto de sacrifício, grandes foram os serviços por ele prestados à causa do ensino, no ataque ao analfabetismo.
           Por muito obscuro que seja um bandeirante dessa cruzada bendita da Luz, sempre são sagrados os seus serviços postos a exercício de tão sublime ideal, qual seja o de educar as sociedades vindouras.
           Ao enterramento do inditoso morto, compareceu grande numero de pessoas da nossa sociedade.
           Paz á sua alma.

Jornal "O Guarará", ANNO III, N.º 1. Guarará, 14 de julho de 1919 

quarta-feira, 28 de agosto de 2013

LUIZ DE FREITAS SANTOS

          O Profº Luiz de Freitas Santos foi um dos mais bem conceituados educadores da região. Um educador nato. Era um "intelectual muito conhecido em Minas, dirigiu vários jornais" e colaborou em outros tantos, como a "Gazeta de Paraopeba", onde atuou entre 1918-1919. Era um poeta e "literato de rara sensibilidade", muitos de seus primorosos trabalhos figuraram nas colunas dos jornais onde colaborou e onde contava com um grande número de admiradores.
          Luiz era natural de Bonsucesso, Minas Gerais, onde nasceu em 22 de abril de 1900. Era filho do Cap. Belchior de Freitas e de Maria de Sousa Freitas. Seu pai, antigo estudante do Caraça, fora contemporâneo, naquela escola, de grandes personalidades como, Carlos Fernandes das Chagas, entre outros. Belchior fora também redator de "A Via-Férrea", na cidade de Bom Sucesso e, tempos depois, funcionário da "Estrada de Ferro Oeste de Minas", como agente da estação Aureliano Mourão, em Bom Sucesso (11a) e depois foi para a "Sorocabana Railway". (11b) (11c) E em São Paulo é onde morre em 18 de setembro de 1931, aos 64 anos de idade, deixando viúva (11d) e os filhos Luiz, Cristovão, Osias, Plínio, Rita, Maria e Olinda..
      O espírito de clareza e a devoção às artes da imprensa do pai, Belchior, influenciaria determinantemente aos filhos, tanto que, Cristóvão de Freitas (irmão de Luiz) mais tarde (antes de tornar-se funcionário dos telégrafos em São Paulo) era redator de "O Apito", revista paulistana e Luiz teria uma vida toda dedicada à instrução e ao jornalismo.
          Luiz Concluiu os cursos disciplinares em Oliveira e lá foi diplomado em 1918, pela "Escola Normal de Oliveira", nos concursos para a formação de professores públicos de Minas. 
          Algum tempo depois ele fixa definitiva residência em Guarará, integrando o corpo docente do Grupo Escolar Ferreira Marques, onde torna-se o orador oficial. (9) Nesta cidade, além de professor, ele já desempenhava anteriormente, as funções de redator de "O Guarará", ao mesmo tempo que outo ilustre colunista e educador J. Paixão. E, na vida pública, posteriormente, Luiz atuaria como Secretário da Câmara Municipal, ajudante da coletoria e advogado.
          Em outubro de 1922, Luiz contraí matrimônio com uma filha, à época, de uma das mais conceituadas famílias. Sua esposa, Dona Guiomar Leite de Freitas era filha do casal Francisco Ferreira de Paula Leite e de Dona Josefina Bruno Leite; (*) irmã do proprietário de "O Guarará", Elcenor Leite e sobrinha de Afonso e Pedro Leite. (3) Os atos tanto o civil quanto o religioso, forma promovidos na casa do sogro, sendo testemunhas, por parte do noivo, o coronel Afonso Leite e o sr. João Furtado, e por parte da noiva o tenente Pedro Leite e o coronel Afonso Leite. As bodas de casamento foram regadas com finas bebidas, oferecidas ás pessoas presentes, brindando, por essa ocasião os nubentes o revmo. cônego Ângelo Rezende e os srs. Carlos de Ouro Preto Tarquínio Pereira e o coronel Afonso Leite. Após os brindes seguiu-se um baile, prolongando até altas horas. (3a)
          Além das aulas no Ferreira Marques, ele cria e dirige uma Escola Noturna, o Ateneu Matutino, um jornal literário e um Grêmio Estudantil.
          A Escola Noturna foi criada em 19 de novembro de 1919. Funcionando na parte superior do prédio da "Loja Maçônica Trabalho, Caridade e Luz", esquina da rua Cap. Gervásio com a Comendador Noronha. Assim foi o que noticiou o jornal "O Guarará" de 16 de novembro de  1919: "...Haverá, a 19 do corrente, em honra à Bandeira Republicana, no salão nobre da "Loja Maçônica Trabalho, Caridade e Luz", desta Vila, às 6 horas da tarde, a Inauguração da Escola Noturna dirigida pelo jovem professor Luiz de Freitas Santos, diretor do Externato dr. Raymundo Tavares e professor do grupo Escolar Ferreira Marques
          Esta escola, aqui fundada e mantida, com ensino gratuito, pela benemérita Loja Maçônica, toma este nobre e altruístico encargo de espalhar, pela nossa mocidade, a luz da instrução, levando-a  a todas as camadas do povo, vem preencher uma grande lacuna em nossa sociedade, qual seja a da falta de uma casa de ensino noturno para os rapazes. A festa de 19 tem, portanto, um caráter altamente significativo e imponente para o nosso povo, marcando um dos passos mais felizes para a nossa mocidade, que afluiu toda ao estabelecimento. O pugilo grande e simpático dos nossos moços ali estão no esforço pela cultura de sua inteligência, unidos e coesos, alegres e satisfeitos...." (b)
          As atividades da Escola Noturna eram de cunho não meramente estudantil, mas social, dela participavam os ingressos à escola, os literatos do Grêmio Literário (anexo à Escola Noturna), as autoridades e o povo, como se pode ver em "O Guarará" 4 de julho de 1920: "... Festejando a reinstalação de suas aulas, este próspero estabelecimento de ensino, mantido pela "Loja Maçônica Trabalho, Caridade e Luz", promoveu, pelo Grêmio Literário "Carlos Góes" soleníssima sessão literária, às 12 horas do dia 1º do andante (1 de julho de 1920).
          Cheio o salão de alunos e pessoas gradas, representantes da imprensa e da instrução, abriu a sessão com um longo improviso sobre O Momento, o professor da Escola e nosso companheiro de redação Luiz de Freitas Santos. Falou o profº Luiz de Freitas sobre o Dever, a Pátria, a Família, a Escola e o Trabalho. Fez um histórico do momento porque atravessa o mundo, após a guerra européia e principalmente o Brasil. Perorou com um belo hino à educação e à mocidade..."
          A Biblioteca Belmiro Braga, anexa ao Grêmio Literário Carlos Góes foi criada em 11 de março de 1920, como impresso no jornal "O Guarará" de 24 de março de 1920, que assim relata: "...Esta brilhante sociedade literária  fundada anexa a Escola Noturna, da Loja Maçônica Trabalho, Caridade e Luz, reuniu-se, em sessão extraordinária, a a 11 do corrente, em seu prédio próprio, para tomar conhecimento de urgentes medidas a se resolverem. Ficou assentada a fundação de uma biblioteca de acordo com os estatutos, e que tomou o nome de "Biblioteca Belmiro Braga". Para isso resolveu-se imprimir circulares afim de serem distribuídas com os amigos da educação do povo, pedindo livros, jornais, revistas, etc., para o arquivo da mesma. Também, combinou-se levar, pelos alunos do Grêmio, dois espetáculos, no teatro local, sábado e domingo da Páscoa, em beneficio da Biblioteca "Belmiro Braga", que se abrirá em dias úteis das 6 ás 9 horas da noite, e nas quintas-feiras, domingos, feriados e dias santificados do meio dia ás 2 boras da tarde."
          Na mesma oportunidade, como atesta o referido jornal, foi eleita a nova diretoria administrativa do Grêmio literário, assim constituída: Presidente, José de Oliveira Dutra; vice-presidente, Nicolino Retto; primeiro secretario, Antonio Carvalho; segundo secretario, Genésio Pereira dos Santos; primeiro tesoureiro, Aparicio Felisberto; segundo tesoureiro, Sebastião Pereira dos Santos; primeiro orador, Círio Vale; segundo orador, Heitor de Matos; primeiro bibliotecário, João Batista Vale; segundo bibliotecário, José Grassano. Fiscais do conselho de prestação de contas: Otto Dutra, Newton Vale e Arlindo Rodrigues. Comissão de adorno: Francisco Alvarenga, Adhemar Pisco, José Cordovil e Alvaro Raimundo. Coimissão de recepção: Otto Dutra, Olímpio de Paiva e Arlindo Rodrigues. Diretoria fiscal e permanente: diretor, Afonso Leite; presidente, Luiz de Freitas Santos. (8)
          Notadamente, outro fator a destacar-se no professor, grande incentivador da cultura e da literatura, era o civismo e o culto às letras, como evidencia-se pelas atividades do Grêmio estudantil Carlos Góes, criado e dirigido por ele para os alunos da Escola Noturna e que são bem percebidas em "O Guarará" de 18 de abril de 1920: "...Está importante e forte associação literária, anexa á Escola Noturna, desta Vila, festejará condignamente, no palacete em que funciona, a data do martírio de Tiradentes. Falara sobre o dia o profº da Escola e presidente nato do grêmio, profº Luiz de Freitas Santos. Seguir-se-á uma sessão cívico- literária. Convidam-se os interessados pela instrução a assistir à festa que terá início às 12 horas." (c)
          Luiz não apena fundara, ele era o Presidente, o regente do Grêmio Literário, e ainda membro da Diretoria Fiscal e Permanente, composta por ele, na qualidade de Presidente e de Afonso Leite, na qualidade de Diretor. E, para incrementar as atividades literárias e culturais, como bom redator e articulista que era, ele em 23 e abril de 1920, juntamente com Elcenor Leite, fundou o jornal literário "O Lírio" (13). A edição das matérias e os artigos de "O Lírio" estavam a cargo do Grêmio estudantil literário, que possuía (ele, o Grêmio) dentro de suas dependências, fundada pelo professor Luiz, a "Biblioteca Belmiro Braga".
          O Jornal literário "O Lírio" fora fundado em 23 e abril de 1920, (4), pelo professor Luiz de Freitas Santos e seu cunhado Elcenor Leite que eram seus redatores. Elcenor era, além de um homem das letras, um hábil jornalista e administrador do jornal, era também um comerciante de nome e renome, era proprietário da "Casa de Primeira Ordem", especializada em artigos finos, calçados e afins,
          Já o pequeno jornal, "O Lírio", administrado por ambos, era um órgão do Grêmio Literário Carlos Góes, continha um conteúdo pragmático, voltado para a instrução. Os moços do Grêmio, colaboravam na redação em seus diversos artigos, onde distinguia-se uma programação lítero-cultural. Formara-se assim uma verdadeira sociedade literária.
          E assim se expressavam, em reconhecimento ao valor do jovem professor as autoridades e a imprensa de então: "Luiz, ...a quem a nossa sociedade deve já valorosos serviços pelo muito que ele vem fazendo em prol da instrução, combatendo, - quer como professor do Grupo Escolar Ferreira Marques e da Escola Noturna, quer como jornalista, - o pior dos males que temos tido até aqui: o analfabetismo..." (7)
          Os anos de 1920, 21 e 22 foram, talvez, o de maior intensidade nas atividades de Luiz. No mês de maio de 1920, por exemplo, ele faz duas viagens lítero-culturais, como diz o jornal "O Guarará, de 09 de maio de 1920: "...O nosso prezado companheiro de redação, profº Luiz de Freitas Santos, na culta cidade de Juiz de Fora. no edifício do Fórum e em beneficio da caixa escolar do Grupo de São Matheus, fez uma conferencia literária, sob o tema - O olhar - recebendo muitos aplausos da grande e ilustrada assistência. Hoje, o jovem poeta e literato, deverá deleitar a culta sociedade de São João Nepomuceno com uma palestra literária - O sorriso - e que deverá ter lugar no belo Cine-Teatro, da importante empresa Manso."
          No ano de 1921, a escola realizava os seus cursos, suas festas literárias e suas premiações pela conclusão dos cursos, conforme atesta o jornal "O Guarará", de 4 de dezembro de 1921: "...Durante os dias 23, 24 e 25, realizaram-se, nesta casa de ensino, mantida pela Loja Maçónica desta Vila e dirigida pelo profº Luiz de Freitas, os exames do 1º, 2º, 3º e 4º anos, tendo funcionado os seguintes examinadores: Afonso Leite, Herman Gribel, Pedro Leite, professor Rabelo Campos, Luiz de Freitas e Antero Soares de Almeida..." (d)
Prédio da "Loja Maçônica Trabalho, Caridade e Luz"
          No ano seguinte (1922), Luiz resolve reabrir o "Externado Dr. Raymundo Tavares", que passa a funcionar nas mesmas dependências da Escola Noturna e contava em seu calendário com os cursos; Primário, Médio e Secundário. O Externato tivera sua existência de fato em fins de 1919, (10) tivera um tempo de inatividade e seus cursos foram reabertos por Luiz no dia 16 de janeiro de 1922, onde atuará como diretor. (1) Ambas as escolas funcionavam portanto na parte inferior do prédio da maçonaria, com as dependências preparadas para este fim.
          Tempos depois, em 1926, Luiz funda o "Ateneu Matutino" que teve as suas atividades iniciadas em 15 de janeiro daquele ano. (2) Assim reporta o jornal "O Guarará": "...Com a presença de grande numero de alunos, instalaram-se, no dia 15 deste (janeiro de 1926), as aulas deste próspero estabelecimento de ensino, aqui proficientemente dirigido pelo conhecido educador, Luiz de Freitas Santos,que, nesse posto, vem prestando enormes serviços á causa da educação da mocidade mineira, aparelhando, com civismo e solidez, a inteligencia de inúmeros moços para a luta da vida pratica. Já estão funcionando com regularidade os cursos secundário e comercial, e em fevereiro será instalado o curso complementar." (6)
         Porém não muito depois, em 1927, Luiz deixa Guarará e vai para a cidade de Bonsucesso. Lá ele vai lecionar na escola Normal "Benjamim Guimarães". Ele toma posse na "Escola Normal de Bonsucesso" em 1930, ao mesmo tempo que cria e dirige o Jornal "A Luz". (12) Não passa muito e ele muda-se novamente, desta vez ele vai para Rio Preto (1932). Por esta época o casal tem 6 filhos  pequenos. Sua esposa, entretanto vem a falecer em 27/12/1936.
          De suas atividades em Guarará, Luiz, além de professor e educador, tiveram um alcance mais amplo, ele foi Suplente de Juiz Federal (nomeado em fevereiro de 1924), Secretário da Câmara Municipal, e desempenhou funções na defensoria pública, atuando como advogado, como, por exemplo, em janeiro de 1926, no caso do processo-crime que a justiça publica moveu contra Otaviano de Souza e Nicomedes de tal. Luiz representou Octaviano nos autos, contra o dr. Maurilo Ernesto Corrêa, que representou Nicomedes. (5).
         Suas relações com a família Leite eram muito estreitas, por diversas vezes mantêm, ele e seus parentes e contraparentes, relações das mais diversas. É ele quem toma às vezes de orador na comemoração das Bodas de Prata do casal Afonso Leite e Carmosina Alvarenga Leite em 1 de agosto de 1926. É ele em que, por diversas ocasiões, em atos cívicos, festas comemorativas, políticas e escolares, divide lugares com alguns dos representantes da família, como Elcenor, Pedro, Afonso, etc.
           Já em Bom Sucesso, Luiz dirigiu o Colégio Mineiro e foi professor da Escola Normal. Dirigiu, em Guarará, o Grupo Escolar "Ferreira Marques", tendo sido diretor, também, da Escola Normal Oficial de Rio Preto, em Minas, onde atuou de 1932 a 1944.
        Luiz morreu em Belo Horizonte, no sanatório Marques Lisboa, no dia 12 de novembro de 1944, aos 44 anos. Era viúvo e deixou 5 filhos. (17)

GUARARÁ À ÉPOCA DE LUIZ
          Cabe ressaltar que ao mesmo tempo, ou um pouco antes disso tudo, em 1916, tornara-se diretor da Escola Ferreira Marques, o profº e farmacêutico Carlos de Ouro Preto. Este além de lecionar, é redator no jornal "O Guarará" e escreve discursos, textos políticos e poesias. Carlos de Ouro Preto fica como diretor até 1924.
          A "Loja Maçônica Trabalho, Caridade e Luz" teve sua atividade entre os anos 1918 e 1926 no distrito sede de Guarará, enquanto que na vizinha Pequeri, já era extinta a Loja Maçônica "Theodórica" (foi ativa entre os anos 1898 e 1912).  A esta última pertenceram Totila Frederico Unzer, o Dr. Antero Dutra de Moraes (orador da Loja), Lucio Cardoso Madeira, Augusto da Costa e Oliveira, José Francisco Lopes Neves, Luiz Latarola, Pedro Vieira de Matos, José Ribeiro de Oliveira e Silva, etc Foram 32 os fundadores e cuja instalação deu-se em 18 de setembro de 1898. O nome Thedórica, foi dado "em homenagem ao maior vulto da maçonaria brasileira", conforme assim justificado. (14) (15) (16)

FONTES E REFERÊNCIAS:
1 - Jornal "O Guarará", 16 de novembro de 1919;
2 - Jornal "O Pharol", Ano LXI, N. 1128, Juiz de Fora, quarta-feita, 27 de janeiro de 1926
3 - "Bicas Jornal", Ano I,  N. I, Bicas, 26 de julho de 1925;
3a -  "O Jornal", quinta, 19 de outubro de 1922
4 - Jornal "O Guarará" de 01/10/1939, pg.2;
5 e 6 - Jornal "O Pharol", 26 de janeiro de 1926;
7- Jornal "O Guarará" de 18 de abril de 1920;
8 - Jornal "O Guarará" de 24 de março 1920;
9 - Jornal "O Guarará" de 18 de dezembro 1921;
10 - Jornal "O Guarará" de 27 de setembro de 1919; 

11a- Almanak Administrativo, Mercantil e Industrial do Rio de Janeiro (Almanak Laemmert) para 1907 e 1908;
11b- Jornal "O Guarará", ANNO III, N.º 29, pg 3 - Guarará, 1 de janeiro de 1920;
11c- Jornal "Correio Paulistano", sexta-feira, 2 de fevereiro de 1912;
11d - O Jornal "O Município" de 11 de outubro de 1931, aponta como viúva de Belchior, Dona Bárbara de Freitas e não Dona Maria de Sousa Freitas;  
12- Almanak Administrativo, Mercantil e Industrial do Rio de Janeiro (Almanak Laemmert) para 1930 e 1931;
13 - Jornal "O Guarará" de 25 de abril de 1920;
14- Jornal "Gazeta de Noticias", Ano XXIV, N. 262 - Rio de Janeiro, segunda-feira, 19 setembro de 1898;
15- Boletim do Grande Oriente do Brasil - 1871 a 1899;
16- Jornal "O Pharol", domingo, 29 de maio de 1904;

17-Jornal "Gazeta de Paraopeba", ANO XXXIV, Nº 1.868, Paraopeba, 11 de fevereiro de 1945. 


TEXTOS COMPLEMENTARES:
(*) O casal Francisco Ferreira de Paula Leite (18/12/1839-19/11/1891) e Elizenda Silveira de São José (6/5/1853-12/4/1939), eve três filhos:
1Francisco de Paula Leite (17/8/1876-20/7/1925) e esposa Josefina Bruno Leite, além dos filhos Elcenor Leite, Elza Leite, Edith Leite, Jordelina Leite, Yara Leite, Otília Leite, Francisca Leite Guimarães (casada com Alvino Guimarães) e Guiomar Leite de Freitas (    -m.27/12/1936), casada com Luiz de Freitas Santos; Maria Leite (casada com João di George), teve mais outro(a) filho(a), num total de dez. Sua esposa morre em 1921. Guiomar e as irmãs Edith Leite, Jordelina Leite e Yara Leite passam a residir em Guarará, vindas se sua terra natal Cordisburgo no final de 1921 (conforme atesta o Guarará de 04 de dezembro de 1921, p3).
          1-1) Elcenor Leite (28/10/1896-6/3/1981), casou-se com Joanna Viggiano Leite (6/4/1897 - ????) e tiveram por filhos: Maria José Leite, José Maria Leite e Tércio Leite.

2) Pedro Leite era casado com Ambrosina Pires Leite

3) Afonso Leite era casado com Carmosina de Alvarenga Leite (15/7/1865-17/2/1948)

(b) PROGRAMAÇÃO
PRIMEIRA PARTE:
I - Discurso de Instalação da Escola e Inauguração da Bandeira no salão nobre da Loja Maçônica, pelo jornalista Afonso Leite.
II - Discurso pelo profº. Luiz de Freitas Santos.
III - Posse da diretoria do Grêmio Literário "Carlos Góes" e juramento do código do Grêmio.
Discurso por Apolinário Camões.

SEGUNDA PARTE:
IV - Saudação à Bandeira pelo aluno José de Oliveira,
V - Discurso oficial, pelo primeiro orador do Grêmio, Aparicio Felisberto.
VI - "As árvores", poesia por João Batista Vale.
VII - "A nau da Liberdade", por ala poesia por José Alvarenga Bastos.
VIII - "A Cidade do Luz", poesia por José Cordovil.
IX - "Desdém", poesia por Nicolino Retto Júnior.
X - "Cativos", poesia pelo segundo orador do Grêmio, Antônio da Silveira Carvalho.
XI - "A Bandeira", poesia pelo aluno Elcenor Leite.
XII - "Estudo anatômico", poesia pelo aluno José Menezes da Silva.
          Abrilhantará as festividade a apreciadíssima banda de musica local. Seguir-se-à animada "soirée" dançante até às 2 horas da madrugada.
         Foram designadas as seguintes comissões: de recepção, de buffet e de adorno dos salões. Na de RECEPÇÃO ficaram os alunos Álvaro Ribeiro da Silva, Aparício Felisberto, José Grassano e Elcenor Leite; na de BUFFET, os alunos José de Oliveira Dutra, Nicolino Retto, Apolinário Camões e José Alvarenga Bastos e na de ADORNO ficaram Marciano de Paula Monteiro, Antonio de Carvalho, José Olímpio de Paiva, Luiz de Freitas e Aníbal Corrêa. (jornal "O Guarará" de 16 de novembro de  1919).

(c) PROGRAMAÇÃO DO 21 DE ABRIL DE 1920
          O "Grêmio Literário Carlos Góes", forte Instituição anexa á "Escola Noturna", promoveu brilhante festividade cívico-literária, em comemoração à data que nos adverte o sacrifício de Tiradentes..
          Ao meio dia, sob a presidência interina do profº Luiz de Freitas Santos, fundador do Grêmio e titular da "Escola", teve Inicio a festa com o comparecimento de vinte e seis alunos e pessoas gradas. Convidou o sr. Luiz de Freitas para tomarem assento à mesa o sr. Cap. Pedro Afonso Leite, como digno representante da "Loja Maçônica Trabalho, Caridade e Luz" e como talentoso diretor e representante desta folha; o sr. Elcenor Leite, como distinto representante da "Gazeta de Paraopeba"; o sr Genézio Santos, como secretário do Grêmio Literário, e o sr Nicolino Retto, como vice-presidente em exercício, a quem passou , a seguir a pressidencia da mesa.
Fez-se executar, após, o programa abaixo:
I - Preleção sobre a data pelo profº Luiz de Freitas.
II - Saudação à Bandeira pelo aluno Agenor Alvarenga.
III - Discurso sobre Tiradentes, pelo 1º orador do Grêmio, Sr. Sirio Vale
IV - A liberdade, poesia, por Newton Vale
V - O Gil, poesia por Fued de Carvalho
VI - Ao Pavilhão, poesia por João de Paulo Monteiro.
VII - Os 3 olhares de Maria, belíssima poesia de Luiz Delfino, por Sirio Vale.
VIII - Poesia do brilhante e saudoso Francisco Octaviano - por Otto Dutra de Moraes.
IX - O Sorvedouro página em prosa de Victor Hugo, por João Batista Vale.
X - A Bandeira, versos de Luiz de Freitas, por Alfredo Custódio Gonçalves. ( (jornal "O Guarará" de 25 de abril de 1920).

(d) O RESULTADO DOS EXAMES FOI O SEGUINTE:
1º ano: Aprovado com distinção, grau 12: Luís Alves Cratiú, Distinção grau 10: Osorio Toledo, Plenamente, 9: Arnaud Gribel e Otacilio Amadeu. Plenamente, 8: José Ferreira Campos, Plenamente 7: Alderico Guimarães e José Camões, Simplesmente 6: Pedro Custodio e Heitor de Paula.
2º ano: Distinção 12: Carlos Toledo. Distinção 10: Sebastião Gomes e Otacilio Toledo. Reprovado 1.
3º ano:  Distinção 12: Newton Vale. Distinção 10: Eloy José Vieira. Plenamente 9: Lino dos Santos e Alfredo Custodio. Plenamente 8: Altair Guimarães.
4º ano: Distinção 12: José Camões Júnior. Distinção 10: José Cordovil. Plenamente 9: Sebastião Soares de Almeida.
A "Escola Noturna", mantida pela Loja Maçónica Trabalho, Caridade e Luz. desta Vila, preparará solene festividade para o dia 8, ás 18 horas, afim de conferir diplomas aos alunos que terminaram o curso primário e prêmios aos que mais se distinguiram nos exames do presente ano letivo.
Ficou escolhido paranifo dos alunos o nosso talentoso diretor, tte. Pedro Leite, digno venerável daquela Instituição.
Em nome da turma falará o diplomando José Camões Júnior. Há os seguintes prêmios instituídos:
1º ano masculino: 1º prêmio Pátria e Família, instituído por Antero Soares de Almeida; 2º premio "Afonso Leite", instituido por Luis de Freitas.
2º ano:  "Prêmio Dom Pedro II", oferecido por Afonso Leite.
3º ano:  Prêmio "Caridade e Dever" oferecido por José Vieira Camões.
4º ano: Prêmio "Carlos de Ouro Preto Pereira", oferecido pelo paraninfo Pedro Leite.
Para o torneio literário há os seguintes premios:
1º lugar: "Premio Luis de Freitas", oferecido pelo ilustrado professor Rabelo de Campos. 2º lugar: "Premio Raymundo Tavares" e 3º lugar "Premio Carlos Góes". (Jornal "O Guarará", de 4 de dezembro de 1921)

VER TEXTOS E POESIAS DE LUIZ DE FREITAS SANTOS

sexta-feira, 16 de novembro de 2012

GINÁSIO DELFIM MOREIRA

GINÁSIO DELFIM MOREIRA

            Em 1913 o professor, poeta, músico e jornalista J. Paixão (José Francisco da Paixão), fundou o Ginásio Delfim Moreira, aos arredores da Praça do Divino em Guarará. José Francisco da Paixão, literato de renome, um dos fundadores da Academia Mineira de Letras, distribuía seu tempo entre a docência nas duas escolas: o Ginásio e a escola Municipal e a redação de "O Guarará", além de publicar artigos em jornais outros de Juiz de Fora, onde residia. Fora ele um dos grandes renome da instrução e da cultura no município. O Ginásio tem uma duração relativa, até o ano de 1926. Quando então surge outra escola para cobrir a lacuna deixada pela anterior (O Ginásio). Esta escola, ou a "Escola Noturna de Guarará", fundado pelo Profº Luiz de Freitas Santos tem uma duração um tanto curta. Em 1930 Luiz deixa o município e muda-se para Bom Sucesso com a família. A escola funcionava no andar de cima do prédio da Maçonaria, juntamente com o grêmio literário lá criada e mantido pelos alunos desta. Em Bom Sucesso Luiz de Fretas vai lecionar na escola Normal "Benjamim Guimarães". Quando ainda em Guarará, além de suas funções notadamente culturais, Luiz de Freitas Santos também cumulou ou desempenhou as funções de Suplente de Juiz Federal e Secretário da Câmara Municipal.
            Cabe ressaltar que ao mesmo tempo, ou um pouco antes disso tudo, em 1916, tornara-se diretor da Escola Ferreira Marques, o profº e farmacêutico Carlos de Ouro Preto. Este além de lecionar, é redator no jornal "O Guarará" e escreve discursos, textos políticos e poesias. Carlos de Ouro Preto fica como diretor até 1924 quando é substituído por Antonio de Padua Rabelo e Campos que fica à frente do Grupo Escolar até (1930 quando vai para Divinópolis como diretor do Grupo Escolar Padre Mathias Lobato - a confirmar???). Carlos Ouro Preto retorna à sua antiga profissão de farmacêutico.
            Os preparativos para aquele que seria o Ginásio Delfim Moreira, já estava em andamento desde 1912, época em que o Cel. Joaquim José de Souza era o chefe do Poder Executivo. O Ginásio já tinha seu prédio, suas acomodações, seu plantel de docentes, eram eles: Eram eles, J. Paixão, Irineu Cândido de Souza, Luiz Pannain, Padre Ângelo Rezende, Francisco P. Ferreira, etc, já tinha seu teatro, seu campus, sua quadra de esportes, enfim...
            Ele passaria a ser conhecido dentro e fora do estado de Minas Gerais, e muitos dos principais jornais da época teceriam fartos elogios a seu respeito, vejamos:  



GUARARÁ

            Nesta florescente vila vai ser inaugurado um estabelecimento de ensino de primeira ordem, graças á iniciativa de alguns cavalheiros, amantes da instrução e do progresso daquele município.

O prédio destinado para o Ginásio de Guarará é vastíssimo, com água potável, rigorosamente canalizada; está situado em lugar escoado por natureza, abundantemente iluminado por muitas janelas em todos os seus compartimentos, com serviços de esgotos, irrepreensível, banheiros de chuva e de imersão, lavatórios louçados para os alunos, vasto recreio, jardim, pomar, erc.

            Está distante da estação de Bicas 20 minutos de bonde.

O clima de Guarará é recomendado por clínicos competentes.

Tem esse estabelecimento já um corpo docente escolhido sob a direção de um educador distinto e emérito, que conta mais de 22 anos de tirocínio pedagógico; residirá com sua família no próprio estabelecimento.

            No prolongamento do prédio destaca-se o teatrinho, inaugurado neste mês; é pequeno, mas é elegante e gracioso.

Nele fará o Ginásio que se realizem conferências literárias, e dará funções duas vezes por ano, em junho e em dezembro, por ocasião do encerramento de suas aulas.


Jornal "Correio da Manhã", ANNO XII, N.º. 5.005
Rio de Janeiro, segunda-feira,14 de outubro de 1912 




            "De Guarará, escrevem-nos:"
Prof.º J. Paixão
            "Deverá instalar-se. em janeiro próximo  nesta Vila, um Colégio de curso primário e ginasial, sob a competente direção do ilustrado pedagogo J. Paixão.
            São fundadores desse importante estabelecimento de ensino os srs. coronéis Joaquim José de Souza e Francisco de Paula Retto Júnior, presidente e vice-presidente da comarca; coronel Arlindo Ribeiro de Oliveira e Silva, major Aníbal Ferreira Marques, d. Rita de Novaes Câmara, capitães José Augusto Frederico de Castro e José Vieira Camões (     - 11/05/1935).
            A ideia da fundação co Colégio partiu do sr. Vieira Camões, que ultimamente tem-se mostrado incansável batalhador pelo bem-estar e progresso da simpática Vila onde reside.

O prédio, cujo serviço de adaptação está sendo executado a capricho, sob as vistas do capitão Vieira Camões, presta-se admiravelmente para o fim a que se destina.
            Não é muito esperar-se um brilhante êxito de um Colégio que vai ter à sua frente uma intelectualidade como a de J. Paixão, num clima invejável como o de Guarará, e auxilado pelos esforços de tão ilustres fundadores."



Jornal "O Pharol", ANNO XLVII, N.º. 243
Juiz de Fora, terça-feira,11 de outubro de 1912


             "Iniciamos hoje, com a singeleza de quem narra e não com o requinte de quem. analisa e comenta e acepilha frases, as pequeninas crônicas, desta formosa, vila, predestinada, por sua bela topografia e clima salubérrimo, a um lugar de distração entre as melhores povoações da Mata.
             Guarará prospera; não está adormecida entre as suas verdes colinas, vivendo de saudades, ruminando passadas grandezas; não!...
            Nela existe uma alma que sonha, mas há também um espirito forte que está de pé, que trabalha, que caminha.
            Ela dormiu, como todas as povoações e cidades mineiras um longo sono,mas já está desperta, e não dormirá mais: tem uma nobre missão a cumprir, ela o sabe, ela a desempenhará.
           Com uma praça, de extensa e larga área, elegantes prédios, em torno, graciosa e elegante matriz, muitas casas comerciais, farmácias, grupo escolar, Ginásio Delfim Moreira, ora fundado, Câmara Municipal e demais repartições públicas; a vila de Guarará cativa e prende o excursionista, todo aquele que a procura ou dela se aproxima. Seu povo é unido, alegre, expansivo, generoso, hospitaleiro e bom. Possui um teatrinho onde trabalha um talentoso e Infatigável grupo de amadores que poderia exibir-se em platéias exigentes. Não lhe regateariam palmas e flores, os cultos habitantes da Princesa do Paraibuna (Juiz de Fora), se um dia este grupo abrisse as portas ao glorioso teatro da rua do Espirito Santo e aí representasse, quer nas comédias, quer nos dramas.
            E por falar em teatro: os alunos do Ginásio Delfim Moreira, criaram nesse vasto; estabelecimento de instrução o "Grêmio literário Alberto de Oliveira" e tratam da organização de uma biblioteca que ficará sob o patronato de Augusto de Lima, o maior poeta mineiro. Esse grêmio [estudantil] tem por objetivo dilatar o espirito de seus sócios pondo-os em contato com os deliciosos prazeres da arte falada, e escrita, essa arte que não morre e que, antes, ressuscita gerações que se foram.
            Em Guarará, não raros cultivam as letras, e podemos citar, ao correr da pena, Aristides Leite, que tanto doura uma pílula como rendilha um verso; Irineu Candido [de Souza], professor emérito e jornalista, Afonso LeitePedro LeitePedro OrlandoJ. Camões e outros e muitos outros. 
           Músicos, poderíamos mencionar às dezenas: aqui quase todos amam a grandiosa arte de [Antonio de] Carlos Gomes, [Manoel Joaquim de] MacedoFrancisco Vale; [Manuel] Gusmão e Fontainha. (....)"



Propaganda do Ginásio Delfim Moreira, nas páginas de "O Pharol de Juiz de Fora

Jornal "O Pharol" - coluna VIDA MINEIRA 
Juiz de Fora, quarta-feira, 21 de maio de 1913.

            No seu livro Cacos de História e Memória & Alguns logradouros de Bicas - MG, editado em 2009, o dr. José Luiz Machado Rodrigues, sobre Irineu Cândido, diz o seguinte:".... Quando Bicas se emancipou aqui funcionava o colégio do grande mestre, professor Irineu Cândido de Souza, que faleceu em 1931. Depois dele se destacaram no ensino na cidade as professoras Dona Izolde e Dona Mariquinhas, o professor Antonio Barroso Gomes, o Dr. Bianco Filho e o professor Francisco Peres...."
*-*-*

            Dentro das atividades literárias desenvolvidas pelos estudantes, ingressos ao Ginásio, internos e externos estavam as edições de um jornal literário e que tinhas às sua frente, como redatora Iracema Pisco, filha do insigne jornalista Joaquim Fróes Vieira Pisco...
             "Gorjeio" é o título de um quase microscópico coleguinha que acaba de ser publicado em Guarará, e se apresenta como órgão do Grêmio Literário Alberto de Oliveira, do conceituado Ginásio Delfim Moreira, dirigido competentemente pelo nosso prezado confrade J. Paixão."

Jornal "O Pharol" 
Juiz de Fora, quinta-feira, 07 de agosto de 1913.


          FESTIVIDADE CÍVICA DO 7 DE SETEMBRO


            Realizou se neste importante estabelecimento de ensino, que funciona em um dos melhores prédios da salubérrima e pitoresca Vila de Guarará, uma festividade cívica comemorando o 7 de setembro, a gloriosa efeméride de nossa emancipação política. O Ginásio Delfim Moreira, que está sob a direção de J. Paixão, nome vantajosamente conhecido no Estado de Minas e membro da Academia Mineira, tem anexo o Grêmio Literário Alberto de Oliveira, cujo objetivo é festejar as datas de nossa historia. No "salão nobre" do Ginásio, onde se achavam presentes as principais famílias do lugar, após haverem os alunos e as alunas cantado o nosso hino nacional com a letra de Osório Duque Estrada, foram os oradores assomando à tribuna, artisticamente enfeitada e erguida em um dos ângulos do vasto salão, na ordem estabelecida pelo programa abaixo:
          Hino nacional, letra de O. Duque Estrada pelos discentes e acompanhados pela corporação musical, a banda marcial Espiritosantense, sob a regência do a regência do distinto professor e maestro Alfredo José de Carvalho. (1)
          Discurso comemorativo, pela aluna senhorinha Jenny A. de Oliveira.
          "Caridade" poesia, pela aluna senhorinha Maria da Gloria Netto.
          "A vingança da porta", poesia de Alberto de Oliveira, pela aluna senhorinha Maria José de S Lima.
          "O gênio e a bondade", poesia de J. Paixão, pela aluna Maria José S. Lima.
          "O pequeno travesso", poesia de Arthur Azevedo, pelo aluno Anacreonte L. P. Guimarães.
          "Paulo e Virgínia", poesia de J. Paixão, pela aluna Maria Thereza Trefilio.
         "Horas mortas", poesia de Alberto de Oliveira, pela aluna Maria da Gloria Netto.
         "Aquarela", poesia, pela aluna Inah Camões.
         Discurso - pela aluna Maria José de S. Lima.
         Esgotado o programa as famílias presentes improvisaram um baile que durou até ás 10 horas da noite, havendo a comemoração começado ás 6 horas da tarde.

Jornal "O Pharol" 
Juiz de Fora, domingo, 21 de setembro 1913.


A INSTRUÇÃO PÚBLICA EM MINAS

            Adotando em suas linhas gerais o método utilizado  pelo governo de São Paulo na organização da sua instrução pública e tendo sido mantido na Europa, por largo espaço de tempo e com excepcional proveito, comissões de homens dedicados, afim de estudar o organização do ensino nos mais civilizados países, o Estado de Minas coata, atualmente, com um avultado notável número de estabelecimentos para difundir a instrução pública, melhormente aparelhados.

          E conquanto sejam grandes os cuidados que o governo deste Estado tem dispensado ao importante problema de administração, mantendo cerca de um milhar de escolas primárias e grupos escolares, assim também estabelecimentos de ensino secundário, ginásios e escolas normais em suas principais cidades, as iniciativas particulares, no sentido de fundar idênticos estabelecimentos e escolas, encontram ainda estímulos da parte do favor público, e, ás vezes, exclusivamente dele, juntamente com os do governo estadual mantêm-se regularmente, espalhando os benefícios valiosos da instrução.

           Um exemplo disso se verifica em Guarará, pequena vilia do Mar de Espanha.

          Com uma população provável de 1000 almas, em uma decadência que mal se disfarça, apesar do seu clima maravilhosamente benéfico, a vila mineira possui, além de escolas primárias particulares, um grupo escolar, mantido pelo governo do Estado e frequentado assiduamente por quase uma centena de alunos.

          Em Guarará, porém, avulta-se a existência de um ginásio, o "Delfim Moreira", onde a instrução secundária completa, de acordo com o programa oficial, é ministrada a um número regular de alunos.

          Recentemente fundado e sem nenhum auxilio do poder público, mantido exclusivamente pela pertinácia e laboriosa dedicação do seu  diretor à causa do ensino e pelos favores do público, está esse ginásio naturalmente destinado a firmar-se de tal sorte que prenuncia larga messe de benefícios à instrução pública do Estado.

          O seu diretor, sr. J. Paixão, educador emérito e nome sobejamente conhecido em todo o Estado de Minas, antigo diretor e professor do curso técnico do grupo escolar oficial da cidade de Oliveira, tendo obras didáticas premiadas pelo Conselho Superior de Instrução de Minas, mantém, simultaneamente com as disciplinas do programa, oficial do Estado, cursos práticos de línguas vivas, e, auxiliarmente, um curso primário anexo ao estabelecimento, onde as crianças se podem aparelhar para as dificuldades do ensino secundário, recebendo um cabedal notável de conhecimentos, com a feição eminentemente prática por que é distribuído o ensino.

          O Ginásio, que tivemos ocasião de visitar detidamente, acha-se instalado em um prédio amplo e adequado, tendo esplêndidos salões e todas as dependências necessárias a um estabelecimentos dessa ordem e que, como sucede com o "Delfim Moreira" tem ainda a especialidade de ser internato e externato.
          Na maior parte os muitos alunos dele são internos, devido, provavelmente, á excelência miraculosa do clima de Guarará, local preferido para convalescença de todas as moléstias, particularmente das de vias respiratórias. E ainda ocorre a circunstância de haver facilidade de comunicação da Vila com a estação de Bicas, da Estrada da Leopoldina, e que lhe dá rápida distância para várias cidades do Estado e da capital da República, e abundância de todos os meios precisos para a manutenção dos seus habitantes.
          Na parte posterior do ginásio há um extenso campo preparado para a educação física dos alunos e ainda para a prática de agricultura e lavoura, e lateralmente ao edifício há um pequeno teatro, onde o grupo de amadores da vila, representa dramas históricos, e que serve também para a comemoração de datas nacionais pelo grêmio "Alberto de Oliveira", fundado pelos alunos do Ginásio "Delfim Moreira". 
          O bom êxito de cometimento do provecto professor J. Paixão diariamente se assinala, com o fato de famílias longínquas internarem em seu estabelecimento modelar, alunos que amanhã, quando vitoriosos na luta pela vida se recordarem dos benefícios recebidos, lhe bendirão o nome.

Jornal "Correio da Manhã"

Rio de Janeiro, quarta-feira, 10 de dezembro de 1913


GINÁSIO DELFIM MOREIRA


          Este conceituado estabelecimento, sob a direção do Sr. professor J. Paixão, antigo e competente educador, mantêm dois cursos: o "primário ampliado" e o "fundamental de preparatórios".
          As matérias do curso primário ampliado são: leitura interpretada, escrita, exercício de composição, língua pátria, lições de coisas, noções de, geografia geral, cronografia do Brasil, geometria pratica, inglês e francês pelo método Berlitz, modificado pelo dlretor-lente destas duas cadeiras.
          As matérias do curso fundamental de preparatórios são todas as exigidas para a matricula das escolas superiores do país.
          O diretor reside com sua família no Ginásio, que é em Guarará, localidade por sua notável salubridade, desde algum tempo o lugar preferido pelas exmas. famílias veranistas na estação calmosa. Seu clima é ameníssimo e sua água potável, abundante e de excelente qualidade. Está lidada a Bicas pelos bondes da Empresa Carril Guararense, e é servida pela E. F. Leopoldina.
          O Ginásio Delfim Moreira, está Localizado no mais amplo e belo prédio ao Largo do Divino, junto à linha dos bondes, fartamente iluminado e arejado, com vastos salões, salas de aula, dormitórios, banheiros, lavabos, abundância de água própria canalizada privada, enorme terreno plano e arborizado para recreio, pode este estabelecimento comportar, com largueza, obedecidos todos os preceitos de higiene, 50 alunos internos. Possui ainda o Ginásio, um teatrinho, no prolongamento do prédio, com todos os acessórios para as festas escolares de fim de ano letivo. O prédio é profusamente iluminado à gás, tendo para isso o seu gasômetro particularmente.


Jornal "O Pharol" , ANNO XLIX, Nº 2
Juiz de Fora, sábado 03 de janeiro de 1914.



          O Ginásio Delfim Moreira prepara uma esplêndida festa escolar para o 15 de março próximo, para comemorar o primeiro aniversario de sua fundação.
          Além de uma sessão cívica, haverá conferencia literária, recitação de poesias e discursos.
          À noite, no teatrinho junto ao Ginásio, haverá espetáculo infantil, organizado a capricho pelo esforçado diretor do Ginásio, emérito educador e querido poeta J. Paixão (José Francisco da Paixão;  Jopax, pseudônimo literário), que escreveu para este espetáculo uma mimosa peça, para ser interpretada pelos seus alunos.
          A festa promete e a população de Guarará e Bicas com certeza Prestar-lhe á o seu concurso.

Jornal "Correio da Manhã", ANNO XIII, N.º. 5.510
Rio de Janeiro, segunda-feira, 2 de março de 1914 .


GYMNASIO DELFIM MOREIRA
     

 Termo de visita do ilustre inspetor escolar Sr, José Duarte de Souza Marques, feita ao Ginásio Delfim   Moreira, na Vila do Espirito Santo 

de Guarará, E. F. Leopoldina, Minas:
        "Visitando hoje, como era de meu dever, e a convite do Sr. professor J. Paixão, o "Gymnasio Delfim Moreira", sob sua criteriosa direção, deixo nestas linhas a profunda e alegre impressão que senti desta visita.      Guarará deve ufanar-se de possuir um estabelecimento de ensino como este, e cerca-lo sempre, como tem feito até aqui, de todo estimulo, simpatia e amor, e ao governo patriótico de nosso Estado cumpre ampara-lo também, porque estabelecimentos desta ordem concorrem eficazmente para a vitoria da instrução de nossa mocidade. Aliás, o Gymnasio Delfim Moreira veio preencher uma grande lacuna em nosso município: vem eleva-lo espiritualmente e facilitar a instrução e educação, não só dos filhos dos abastados, como também dos remediados e dos pobres.
         Aqui, pois, ficam os meus parabéns cordiais ao sr. professor J. Paixão, ao corpo docente e discente do Gymnasio Delfim Moreira.
         Guarará, 23 de dezembro de 1913. 
         - O inspetor escolar, José Duarte de Souza Marques."

Jornal "O Pharol" , ANNO XLIX, Nº 73
Juiz de Fora, sexta-feira, 13 de março de 1914.


Guarará
          Nesta encantadora vila, que dorme tranqüilamente embalada pelo seu clima delicioso e seus costumes puríssimos, acha-se instalado um estabelecimento de instrução, digno dos maiores encômios.
          À testa de tão importante instituto está o abalizado e muito distinto educador J. Paixão, varão ilustre pelas suas finíssimas qualidades morais e intelectuais.
          Sempre alvejado pela mais fidalga gentileza, a sua alma desprende os incensos das mais excelsas virtudes cívicas, o seu espirito é o terreno bendito onde medram os mais nobres sentimentos humanos; e, assim, o autor das "Divagações e Pensamentos" encanta aos que possuem a imensa fortuna de com ele viver: cada palavra é uma flor viçosa, cujas pétalas nos balsamam o espirito; cada frase é uma grinalda que nos cinge o coração em um dulcíssimo enlevo. Dotado, igualmente, de uma força de vontade pouco vulgar, não obstante os imensos obstáculos a vencer, eis que a sua fecunda e patriótica iniciativa caminha célere, levando de vencida todas as dificuldades.
          Hoje, graças ao seu grande valor pessoal, graças ás simpatias que, em pouquíssimo tempo, soube captar, o Ginásio Delfim Moreira conta um número bem animador de alunos, de ambos os sexos, que vêem no competentíssimo pedagogo - o amigo sincero, o mestre insígne, o pai adotivo! E não é, por conseguinte, sem justo motivo que o povo desta vila devota verdadeiro culto a este distinto cavalheiro, portador de tão altos e incontestáveis méritos.
          Atualmente, no seu estabelecimento, corre um sopro de diáfana alegria, pela festa a realizar-se no dia 29 do corrente. Esta festa vai despertando vivíssimo interesse, porquanto contará de uma palestra literária - "A lágrima", e na qual a palavra matizada do fino mestre fará vibrar as fibras do nosso entusiasmo; o seu espirito delicadíssimo mais uma vez jorrará as cintilações de suas fecundíssimas expressões! Quem não conhece a magia forte de sua palavra?!
          Quem se esquiva da empolgância, quando é levado ao cúmulo de tão sublimes pensamentos?!
          J. Paixão é um nome firmado nas letras pátrias e respeitado no magistério; é um escritor delicado e cujo estilo imaculado tem o condão de seduzir.
          Por isso, a sua conferência é aguardada com verdadeiro anseio.
          O programa da festa constará de uma conferência literária - "A lagrima", de uma comédia "As flores", cujo desempenho está confiado a um grupo de distintos alunos do Ginásio; de diversos monólogos e poesias.
Luiz César Panain.
Jornal "O Pharol" , ANNO XLIX, Nº 91
Juiz de Fora, terça-feira, 31 de março de 1914



BICAS
          Embora pareça extemporâneo, não me é possível silenciar em vista de uma festa religiosa que aqui teve lugar, no mês próximo passado.
          Foi organizada sob os auspícios dos muito distintos cavalheiros, sr coronel Joaquim José de Souza, presidente da Câmara de Guarará e uma das pessoas de maior destaque da nossa sociedade, pela retidão do seu fino espirito; revmo. padre Angelo Rezende, virtuoso e esforçado vigário da freguesia e Cornelio Medina, jornalista emérito e polemista vibrante.
          Esta festa, em honra do nosso padroeiro S. José, teve inicio no dia 12, na capelinha do S. Coração de Jesus, terminando no dia 22. Nos dias que durou, houve todas as noites novenas e bênçãos ao S. S. e, após, leilões, animadíssimos em um pavilhão armado perto da Capela, comparecendo a ele o fino escol da sociedade biquense, que tanto matiz e perfumes imprimiu à solenidade, deixando impressa em nossa alma a mais grata recordação, a mais viva saudade. Em todos os semblantes deste povo fidalgo, transparecia a mais vibrante satisfação e o entusiasmo mais intimo: tudo era luz, aroma e encanto!
          Foram apresentadas ricas prendas, cuja posse despertavam a mais aterrada disputa e ostentavam salientemente o alto esmero em que se houve á comissão das distintas senhorinhas ofertantes.
          O produto dos leilões foi destinado às obras da igreja matriz, já bastante adiantadas e entregues ao sr. José Domingues, contando ele no número de seus auxiliares, o sr. Miguel Picoroni, artista de alto valor, como no-lo atestam os seus trabalhos, dentre os quais merece referencias especiais o altar-mór.
          Terminaram os festejos no dia 22, havendo, ás 11 horas da manhã, missa solene pelo revdmo. padre Ottoni Carlos, coadjutor de S. João Nepomuceno e acolitado pelo revdmo. padre vigário; às 3 horas, riquíssima quermesse cujos bilhetes foram passados pelas graciosas senhorinhas Zoé de Souza, Celeste Baião, Julieta Medina, Laura Medina, Diamantina Dutra, Julieta Telles, Stela Telles, Leticia Telles, Maria José Gomes, Eurice Gomes e Felisbina Gouvêa de Almeida, mostrando-se todas na altura da incumbência; às 5 horas da tarde, procissão concorridissima e em ordem corretíssima, tendo percorrido
as ruas principais, havendo na volta à capelinha um eloqüentíssimo sermão alusivo ao S. Padroeiro, pelo revmo. padre Angelo Rezende, cuja palavra é de um mavioso encanto. Neste dia, as ruas estiveram belamente ornamentadas e apinhadas de povo que acorreu de muitos lugares vizinhos de Bicas. E assim terminou a festa em homenagem ao glorioso S. José, cuja recordação perdurará eternamente nos espíritos daqueles que a gozavam.
          Entretanto, cumpre dizer que, terminados os atos religiosos, á noite, em casa do distinto cavalheiro, sr. Antonio Baião, teve lugar uma esplêndida soirée que se prolongou até altas horas da madrugada. A digna família do ilustre conterrâneo dispensou aos inúmeros convivas os mimos de sua extremada e sedutora gentileza. O que há de mais seleto em Bicas compareceu ao baile, onde o belo sexo desprendia galhardamente os incensos cromatizantes de sua graça altaneira.

GUARARÁ
          A pedido de muitas pessoas gradas de Guarará e em homenagem também ao professor Francisco Paixão, diretor do Gymnasio S. Salvador, que virá passar uns dias nesta pitoresca vila, o corpo docente do Gymnasio Delfim Moreira repetirá sua ultima festa no teatrinho anexo ao mesmo estabelecimento, reproduzindo J. Paixão a sua conferência "A Lágrima". Em outra correspondência daremos uma noticia circunstanciada do que foi a festinha dos alunos do Gymnasio.
Luiz César Panain.

Jornal "O Pharol" , ANNO XLIX, Nº 99
Juiz de Fora, quarta-feira, 08 de abril de 1914.


NEM TUDO SÃO [OU ERAM] FLORES


          Soubemos ter sido levada ao conhecimento do sr. Cel. Joaquim José de Souza, digno Agente Executivo Municipal, uma representação, firmada pelos alunos do Ginásio Delfim Moreira e demais habitantes deste município. Esta representarão teve por fim solicitar do S. Excia  providencias necessárias para a continuação do estabelecimento, que, proficientemente, vem dirigindo o nosso ilustrado confrade, prof.º J. Paixão, e o qual está na contingência de se fechar por falta de um prédio onde possam funcionar seus diferentes cursos.
          Confiados nos sentimentos de abnegação e patriotismo de S. Excia bem como em seu espirito operoso e progressista, estamos certos de que S. Excia não se recusará a prestar o seu valioso concurso, para a existência do Ginásio, aqui mantido há mais de dois anos, tomando as providências que o momento exige.


Jornal "O Guarará", ANNO II, N.º 120
Guarará, 11 de abril de 1915




Notas e referências:
1 - Além de Alfredo José de Carvalho, era igualmente mastro em Guarará, por esta época , José Emídio de Gouveia (Jornal "O País", domingo, 9 de abril de 1911).